sábado, 21 de fevereiro de 2009

As Relações Humanas na Universidade do Minho

Saúde é viver com bem-estar em todas as dimensões humanas (fisiológica, psico-social, espiritual, ética, etc), incluindo nelas aqueles que connosco constroem mundos de sentido (Declaração de Alma Ata, 1978); esse bem-estar não pode ainda deixar de ter em conta o mundo no qual vivemos, e onde se encontram as outras pessoas. Assim, não é possível separar o bem-estar individual da responsabilização face às comunidades nas quais vivemos.
Todos nós passamos muito tempo na UMinho, pois o trabalho ocupa um papel importante na nossa vida. No entanto, cada vez mais dizemos uns aos outros que a única maneira de conseguirmos sobreviver é ‘envolvermo-nos o menos possível’ nas responsabilidades académicas. Queremos fazer a nossa investigação, dar as nossas aulas e os outros que cuidem da papelada e das chatices. É neste mal-estar generalizado que assenta a indiferença face às eleições para o Conselho Geral, por exemplo. Muitos dos colegas não acredita que algo possa ser mudado. Outros querem acreditar que nada irá mudar. Isto pode ser considerado positivo ou negativo, conforme o estatuto e as funções que desempenham na universidade, e sobretudo o modo como o fazem.
A UMinho tornou-se um local de mal-estar para muitos colegas, que se sentem injustiçados, por exemplo, com exigências de carreira por alguns daqueles a quem foi fácil chegar aos topos da hierarquia por falta de concorrência. Todos nós sentimos que há duas (ou mais) medidas de resolução dos problemas, conforme as pessoas a quem são imputados, outro exemplo. É-nos até difícil termos a percepção de constituirmos um grupo social, tão preocupados estamos com injustiças que vemos acontecer, connosco e com outros.
Temos clara noção de que este ambiente de trabalho nos afecta inclusivamente ao nível biológico, com problemas diagnosticados de vária índole. É algo inevitável, dado que nos seres humanos (em todos os seres vivos, aliás) ‘o todo é maior que a soma das partes’, sendo que muitas partes funcionando bem não garante que o todo não venha a ser afectado pelo disfuncionamento de uma das nossas áreas existenciais, as relações no local de trabalho, neste caso.
O que será que podemos fazer? Parece-nos só haver uma solução: assumirmos (todos aqueles que nos queixamos) as responsabilidades institucionais e tentarmos ser mais justos, mais dialogantes, mais atentos a quem se sente injustiçado. Há colegas que pedem respostas concretas, por parte das listas, para este tipo de problemas, que engendra uma verdadeira epidemia de desânimo e cinismo académico.
Certamente que a lista B não pode afirmar que irá resolver todas as injustiças, caso consigamos um bom resultado eleitoral, mas sem dúvida que nos comprometemos a exigir que os órgãos institucionais sob alçada do Conselho Geral actuem pelos valores aqui defendidos.
Uma medida muito simples será que alguém da equipa reitoral disponha de um dia por semana (com marcação prévia) para ouvir os docentes/investigadores da Universidade, com o compromisso de fazer chegar a informação ao senhor reitor (independentemente de a situação ter sido entretanto resolvida, ou não, pelo mencionado membro da equipa reitoral).
Se a descentralização (ou seja, a delegação de mais poderes nas escolas, nomeadamente ao nível financeiro) nos parece indispensável para um funcionamento mais célere e eficaz na academia, criar espaço para que as pessoas possam ser ouvidas individualmente não é menos importante!
VOTA LISTA B!

Clara Costa Oliveira

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