terça-feira, 24 de janeiro de 2012

À margem do CG: algumas notas soltas (66)

Na anterior nota solta que publiquei, reportei-me ao processo de auscultação da academia lançado pelo Conselho Geral há um par de meses, tendo sublinhado, com satisfação, os aspectos seguintes:  
i)                     a circunstância de as abordagens da problemática seguidas pelos diferentes grupos terem tendido a diferenciar-se, o que me pareceu particularmente saudável, por permitir aproximações menos ortodoxas à realidade existente ou a construir;
ii)                   o facto das leituras feitas resultarem em análises de situação bastantes distintas em matéria de funcionamento dos serviços e estrutura orgânica, isto é, a realidade que é(foi) lida é(foi) expressão de uma pluralidade de enfoques; ainda,
iii)                  perceber-se que as leituras de situação feitas e as recomendações elaboradas reflectiam amiúde um claro défice de informação sobre a universidade e de reflexão sobre a problemática da sua gestão.
Redigi estas notas numa altura em que estavam ainda disponíveis poucos relatórios dos grupos de trabalho, mas os primeiros sinais não desafinaram do grosso que pude ler a seguir. A isso me referi em “comunicado” distribuído na passada 5ª feira na rede electrónica na UMinho em mensagem que redigi conjuntamente com o colega Fernando Castro, onde, como não podia deixar de ser, a primeira nota serviu para enaltecer a generosidade e a boa vontade dos participantes neste exercício de democracia e de cidadania, esta, tão pouco estimulada na instituição.
Agradecer a colaboração dada à instituição e dar a todos notícia da riqueza dos contributos produzidos eram uma obrigação dos representantes máximos da instituição e uma forma de reafirmar que o exercício feito não tinha sido gratuito, quer dizer, os contributos recolhidos em matéria de diagnóstico e de propostas de acção não eram para guardar no saco das coisas que não valem nada.
Que podia(pode) ser esse o destino de todo o trabalho feito, nunca se me afastou do pensamento. No limite do que estivesse ao meu alcance, haveria (hei-de) combater esse destino das coisas que valem a pena mas que não têm a o favor dos poderes instalados.
Ora bem, entre as notas salientes da reunião do Conselho Geral ontem havida estão as seguintes:
i)                     a censura, logo a abrir, a sessão, por parte do presidente do CG da minha tomada de posição pública sobre esta matéria, sob o pretexto da inoportunidade do comunicado dada a realização ontem da reunião plenária do CG onde o assunto mereceria uma tomada de posição, como se as Comissões do CG não tivessem já reunido e produzido documentos de síntese que nada justificaria que se mantivessem (mantenham) reservados, quer dizer, unicamente do conhecimento do CG e da reitoria;
ii)                   a discussão havida no final da reunião (a que, por força de aulas que tinha agendadas, não assisti até ao fim) sobre se fazia ou não sentido a informação à academia sobre o processo, isto é, na prática, a divulgação dos memorandos produzidos pelas Comissões do CG, o que, em boa verdade, significaria devolver à academia a informação que esta produziu.
Não me espantaram estes factos porque a ideia de secretismo tem sido cultivada desde o primeiro instante do funcionamento do órgão, sendo o primeiro paladino dessa vontade de manter os membros da instituição na ignorância do que se vai fazendo e decidindo exactamente  quem teve a ousadia de me censurar.
Esclareça-se a propósito que não foi a primeira vez que o fez. Não foi, também, a primeira vez que teve que recuar nas suas intenções. Gostaria, todavia, que fosse a derradeira, em razão da consciência que possa tomar de quanto é retrógrada e portadora de um espirito contrário ao direito de acesso à informação e à liberdade de opinião, que são (ou deveriam ser) próprias de uma Universidade (com U grande, entenda-se), a posição de que se fez porta-voz.
      
J. Cadima Ribeiro

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