segunda-feira, 2 de maio de 2016

"Em defesa da velha ideia de Universidade"

«O que faz uma grande universidade no século XXI é basicamente o mesmo que fez as grandes universidades no passado, desde a sua génese, na Grécia Antiga, à sua consagração, na Idade Média Cristã.
“O que faz uma grande universidade no século XXI?” Este foi o tema de um debate estimulante — mas também preocupante — que teve lugar em Oxford, no domingo da semana passada (24 de Abril) A iniciativa pertenceu à IARU (International Alliance of Research Universities) e reuniu responsáveis da Universidade Nacional da Austrália (vice-chanceler), da Universidade Nacional de Singapura (presidente), Universidade de Pequim (presidente), Universidade da Cidade do Cabo (vice-chanceler), Universidade de Copenhaga (reitor) e da Universidade de Oxford (vice-chanceler).
O aspecto mais estimulante foi também o mais preocupante. Sob a vigorosa liderança da nova vice-chanceler de Oxford, Louise Richardson, os participantes foram gentilmente levados a subscrever a sua tese principal: o que faz uma grande universidade no século XXI é basicamente o mesmo que fez as grandes universidades no passado, desde a sua génese, na Grécia Antiga, à sua consagração, na Idade Média Cristã.
E qual foi o mistério dessa grande e velha ideia de Universidade? É muito simples, por mais que isso desagrade aos activistas políticos de todas as cores: a sua independência; a sua dedicação desinteressada à busca do bem, da verdade e do belo, através de um debate inteiramente livre entre propostas rivais.
Esta preocupação de independência e de liberdade foi crucial para as universidades medievais. Todas elas nasceram sob especial estatuto de independência do poder político — que lhes era concedida pela protecção do Papa, em Roma. É por isso que todas as mais antigas universidades europeias nasceram cristãs. Para grande surpresa dos nossos intelectuais semi-educados, que hoje reproduzem ortodoxias politicamente correctas, universidade cristã queria simplesmente dizer: universidade livre.
Louise Richardson, a vice-chanceler de Oxford, alertou para os perigos que hoje ameaçam esta velha e nobre ideia de universidade livre. Por um lado, as pressões dos governos para que as universidades “produzam resultados”. Esta pressão só poderá ser eficazmente derrotada se as universidades diversificarem as suas fontes de financiamento e recusarem a proletarização dos professores e investigadores sob a tutela de agências estatais.
Por outro lado, existe hoje a ameaça muito directa da censura política exercida por activistas estudantis. Esta é agora exercida em nome da proibição de “discursos ofensivos”, o que significa basicamente discursos com que alguns alunos activistas discordem.
Alunos do Oriel College, em Oxford, queriam retirar do colégio a estátua de Cecil Rhodes porque ela seria ofensiva, dado que Rhodes teria sido “colonialista”. No Christ Church College, também em Oxford, um debate foi cancelado porque havia palestrantes contra o aborto, o que um grupo de alunos considerou ofensivo. Palestrantes que critiquem o radicalismo islâmico são hoje regularmente boicotados. Palestrantes que defendam Israel são hoje também regularmente impedidos de falar.
É um facto que estas ameaças de censura partem hoje sobretudo da extrema-esquerda. Isso merecerá certamente uma análise sobre o que se passa no panorama intelectual à esquerda. Mas, do ponto de vista da Universidade, tanto importa que a censura venha da esquerda como da direita, ou do centro. O lugar da Universidade, como sublinhou enfaticamente Louise Richardson, é o lugar da livre controvérsia, do exame desapaixonado das ideias por outras ideias.
Michael Oakeshott costumava dizer — ecoando as palavras de Edmund Burke e do Cardeal Newman — que a Universidade é o lar de uma perene conversação: civilizada, respeitosa e desapaixonada. Uma conversação entre vozes do passado, vozes do presente e vozes do futuro. Todas devem ter voz. Mas a nenhuma deve ser concedida a supremacia absoluta.
Esta era a ideia de Universidade medieval. É um inquietante sinal dos tempos chamados modernos (ou pós-modernos) que ela esteja hoje a ser ameaçada por activistas semi-educados. Estes bárbaros modernos (ou pós-modernos) querem colocar as universidades ao serviço de causas políticas e sob controlo estatal. Contra os novos bárbaros, é preciso defender a velha ideia de Universidade.»
João Carlos Espada
(reprodução de artigo de opinião OBSERVADOR online, de 2/5/2016)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

"What is Happening to our Universities?"

Artigo IDEAS.REPEC.org
What is Happening to our Universities?

[Abstract
In recent decades, many universities have been moving in the direction of a more hierarchical and centralised structure, with top-down planning and reduced local autonomy for departments. Yet the management literature over this period has stressed the numerous benefits of flatter organisational structures, decentralisation and local autonomy for sections or departments. What might explain this paradox? And why have academics remained strangely quiet about this, meekly accepting their fate? The paper critically examines the dangers of centralised top-down management, increasingly bureaucratic procedures, teaching to a prescribed formula, and research driven by assessment and performance targets, illustrating these with a number of specific examples. It discusses a number of possible driving forces of these worrying developments, and concludes by asking whether academics may be in danger of suffering the fate of the boiled frog.


(reprodução de título e de resumo de artigo acessível no endereço eletrónico identificado)

domingo, 1 de maio de 2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

"Estudantes de Direito denunciam critérios desiguais nas avaliações das faculdades"

«A Coligação pela Justiça nas Classificações em Direito avançou hoje à Lusa que há faculdades de Direito que aplicam bonificações à média final dos alunos mediante diferentes requisitos, situação "ilegal" e de "gravíssima e intolerável desigualdade".

Compõem esta coligação as associações de estudantes das Faculdades de Direito da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa -- Centro Regional do Porto --, bem como o Grupo pela Justiça nas Avaliações em Direito.
Segundo a estrutura, o Decreto-Lei n.º 74/2006 de 24 de março, republicado no dia 07 de agosto de 2013, refere que a classificação final é "a média aritmética ponderada das classificações obtidas nas unidades curriculares que integrem o plano de estudos do curso de licenciatura".
"Uma significativa franja das prestigiadas licenciaturas em Direito do país afastaram-se de forma gritante do regime legal", salientou.
A coligação considerou que esta "ilegalidade" praticada por algumas universidades "ofende de forma substancial, amiúde, decisiva e determinante" os interesses dos estudantes licenciados em Direito que não beneficiam dos modelos de cálculo da média implementados pelas diversas faculdades.
"Esta situação representa um gravíssimo e intolerável fator de desigualdade para os mesmos concedendo, tendencialmente, uma intolerável e injustificada posição relativa de vantagem concorrencial", entendeu.
o grupo realçou que esta situação é "grave" porque a média é valorizada no acesso à maioria dos estágios, tal como na cobrança de `spreads` bancários 
por alguns bancos para o financiamento do segundo ciclo de estudos.
Além disso, explicou que o acesso aos estágios no Tribunal Constitucional é restrito a licenciados com classificação final igual ou superior a 16 valores, assim como os estágios no Banco de Portugal exigem média igual ou superior a 14 valores.
"A inscrição em Mestrados Científicos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa tem a classificação final mínima recomendada de 14 valores como referencial, enquanto a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra giza como recomendação a classificação final mínima de 12 valores", exemplificou.
Por este motivo, os estudantes subscritores do documento pedem a resolução "urgente" do problema "pelos estragos que origina na credibilidade do ensino superior".
A Coligação pela Justiça nas Classificações em Direito adiantou que as bonificações aplicadas à classificação final assumem "formas distintas e variáveis" conforme a universidade.
A título de exemplo, referiu que há universidade a majorar em 0,5 valores a classificação final caso o aluno termine o curso na duração prevista.
A coligação sustentou já ter contactado as universidades e faculdades, o ministro do Ensino Superior, a Direção-Geral de Ensino Superior e a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, mas ainda não obteve respostas.
Em declarações à Lusa, um dos membros da coligação, Ricardo Magalhães, sustentou que esta "ilegalidade" prejudica os alunos no acesso ao mercado de trabalho porque a média final em Direito "conta muito".
"É de elementar justiça resolver esta questão que prejudica todos os estudantes e descredibiliza o ensino português", terminou.
A Lusa tentou contactar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mas ainda não conseguiu esclarecimentos.»

(reprodução de notícia RTP / Lusa28 Abr, 2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, 27 de abril de 2016

"O departamento funciona há 20 anos num edifício pré-fabricado"

Notícia RUM
UMinho: solução para dept. geografia está a "ser estudada" -
http://rum.pt/news/uminho-solucao-para-dept-geografia-esta-a-ser-estudada

"Estudantes portugueses com recolher obrigatório"

«Aluno foi arrastado pelos cabelos e insultado por militar.

Há 956 estudantes portugueses na Polónia que estão sujeitos a um conjunto de normas de segurança, incluindo o recolher obrigatório. A Polónia é alvo de "manifestações nacionalistas" e, no dia 9 deste mês, um estudante português de 18 anos foi arrastado pelos cabelos e insultado no hotel no qual estava instalado, em Rzeszow, por um militar polaco de 38 anos. "Recomendamos que os bolseiros cumpram as indicações de segurança emitidas pelas instituições de acolhimento, incluindo recolher obrigatório", referiu ao CM, fonte da Agência Nacional Erasmus + Educação e Formação. A mesma fonte adiantou que as "instituições de ensino portuguesas do Ensino e Formação Profissional e do Ensino Superior têm manifestado preocupação relativamente à segurança de estudantes portugueses que se encontram em instituições polacas no âmbito do Programa Erasmus, em locais em que tem havido manifestações nacionalistas". "É aconselhável que os bolseiros portugueses estejam atentos e não desrespeitem as normas de segurança", reforçou. O estudante agredido integra um grupo de 15 portugueses que participam num estágio organizado pela empresa espanhola Eduit. Na rua os jovens foram confrontados com atitudes agressivas por parte de polacos, como gestos obscenos. Foram por isso colocados numa residência com seguranças.»

(reprodução de notícia CORREIO DA MANHÃ online, de 27 de abril de 2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, 25 de abril de 2016

domingo, 24 de abril de 2016