quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

“Seria impossível as universidades viverem sem propinas”

«O tema está na ordem depois da Alemanha abolir as propinas. Em Portugal, diz o novo líder dos reitores, elas representam 20% das receitas e é impensável seguir o exemplo germânico.
Regras diferentes para os alunos no acesso às universidades e aos politécnicos. O assunto ainda não está a ser discutido, mas o novo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) diz não ter dúvidas de que o tema "terá que ser considerado nos próximos tempos". Uma medida que, sublinha António Cunha, tem de ser acompanhada por uma "diferenciação" do perfil dos alunos que frequentam os dois sistemas e também dos cursos que se ministram em cada um deles.

Os politécnicos defendem a alteração às regras de acesso ao ensino superior. Concorda?
Há questões que podem ser discutidas. Por exemplo se todos os cursos de engenharia, como os ligados à Agronomia, deviam exigir Matemática ou Física. O CRUP será sempre renitente em evoluir para a diminuição da exigência e da qualidade. O número de estudantes que têm aprovação em Matemática e Física é um problema nacional. Devemos procurar que os níveis de desempenho no ensino secundário sejam mais elevados e ter mais alunos em condições de aceder ao ensino superior.»

(reprodução de notícia Económico online, de 23 de Outubro de 2014)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

"Impressiona a inconsequência de tais tragédias nas praxes"


(título de mensagem, datada de quinta-feira, 16 de outubro de 2014, disponível em O Campus e a Cidade)

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O porquê da saída da Pró-Reitora Felisbela Lopes?

António Cunha ainda não conseguiu, até ao momento, quase após um mês, explicar à UMinho o porquê da saída da Pró-Reitora Felisbela Lopes, que, pelo seu lado, parece que saiu sem também querer dar à comunidade académica da UMinho uma explicação válida para que esta perceba o porquê de tal decisão! 
Tanta falta de informação só deve resultar de os motivos terem que ficar nos segredos dos Deuses! Assim, como em outras situações, fica em causa a transparência e a prestação de contas devida a toda a Comunidade face a uma decisão que afeta a estratégia da Reitoria para a comunicação interna e externa proposta no Programa de Candidatura.

"Devia morrer-se de outra maneira"

"Devia morrer-se de outra maneira. Transformarmos-nos em fumo, por exemplo. Ou em nuvens".

J. Gomes Ferreira

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

"Reitor da Universidade de Lisboa: ´Há um limite que não é possível ultrapassar`"

«O reitor da Universidade de Lisboa criticou hoje as políticas para o ensino superior, que não acredita serem "obra do acaso", mas sim "opção estratégica", referindo a redução orçamental e defendendo que "há um limite que não é possível ultrapassar".
Na cerimónia de abertura do ano académico 2014-2015, que hoje decorreu na reitoria da Universidade de Lisboa, e na qual foi entregue o prémio Universidade Lisboa 2014 ao professor universitário Adriano Moreira, o reitor António Cruz Serra, que assina também o primeiro ano à frente da universidade, criticou os "sucessivos constrangimentos" a que a instituição teve que se adaptar.
Referiu, entre outros, a impossibilidade de aumentar o valor da massa salarial acima do estipulado para o ano anterior -- determinação que volta a ser imposta no Orçamento do Estado para 2015 -- e que "pode redundar em redução de efectivos e envelhecimento"; as cativações feitas às receitas próprias das universidades, ou da "atrofia progressiva do orçamento, que reduziu em mais de metade" o valor com o qual as instituições podiam contar há quase 10 anos.
"Tivemos que lidar com variações imprevistas, com cortes não explicados, com compensações de critérios obscuros", declarou o reitor, sublinhando que só no último ano a universidade teve que alterar por três vezes o valor do ordenado dos funcionários.
Recordou ainda a promessa ainda não cumprida do primeiro-ministro de conceder mais autonomia às universidades, e criticou a manutenção do estatuto de fundação para algumas universidades, "um estatuto jurídico cuja extinção foi anunciada" e que "continua a merecer tratamento preferencial, não havendo qualquer racional de qualidade ou bom governo que permita às restantes instituições beneficiarem das mesmas condições preferenciais".
"Como não acredito que tudo isto seja obra do acaso, estou em crer que se trata de uma expressão de escolha e de uma opção estratégica, cujo equilíbrio não podemos deixar de pôr em causa", declarou António Cruz Serra.
O reitor disse ainda que o ano académico se inicia "num Portugal enevoado e triste, que ainda não soube ultrapassar a crise que vem vivendo".
"Um Portugal que, mantendo o desinvestimento na educação, e desvalorizando a função do ensino superior, regista preocupantes níveis de desemprego e emigração, sobretudo afectando os mais jovens", declarou.
Afirmando a disponibilidade da universidade para ajudar a criar novas empresas, o reitor recordou que foram alguns dos diplomados da instituição que formaram empresas como a EDP, a PT, ou a TAP.
"É inquietante testemunharmos que nem sempre somos capazes de preservar tudo aquilo que construímos. Temos de avaliar e tirar consequências. Aprender a lição e prosseguir", disse.»
(reprodução de notícia Negócios online, de 16 Outubro 2014)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

"A acção da European Science Foundation é uma acção de censura, que tenta limitar a liberdade de expressão"

Artigo de opinião jornal Público
Quando os inquisidores começam a mostrar os dentes: 
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/quando-os-inquisidores-comecam-a-mostrar-os-dentes-1672787

"Portugal pode ter que importar engenheiros civis dentro de cinco a seis anos"

«Haverá falta de profissionais em consequência da quebra da procura dos cursos superiores, alertam a Ordem dos Engenheiros e as empresas de construção.

Metade das vagas disponíveis nos cursos de Engenharia civil ficaram vazias no final das duas primeiras fases do concurso de acesso ao ensino superior deste ano. A tendência já vinha do ano passado, mas agudizou-se e, caso esta quebra da procura continue nos próximos anos, terá consequências para o sector da construção. A Ordem dos Engenheiros (OE) e as empresas do sector concordam em afirmar que Portugal vai ter falta de profissionais da área já dentro de cinco a seis anos. Se assim for, o país será forçado a passar de exportador e importador destes técnicos.
Há quatro anos, havia 800 candidatos aos cursos de Engenharia Civil. Neste momento, o número de colocados não chega a metade – pouco mais 300 até ao momento. “Não é difícil de antecipar que vamos ter um défice de engenheiros”, defende o bastonário da OE, Carlos Matias Ramos. “Um número como este, não chega sequer para compensar as pessoas que vão para a reforma”, sublinha o director do curso de Engenharia Civil da Universidade do Minho, Jorge Pais.
A avaliação da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (Aiccopn) é semelhante. “Vamos ter consequências a médio prazo”, alerta o presidente Reis Campos. E, à quebra do número de engenheiros que sairão das escolas nacionais nos próximos, acrescenta uma outra dimensão neste problema “preocupante”: a crescente procura de engenheiros portugueses por parte de empresas estrangeiras. “São décadas de acumulação de conhecimentos científicos, de know-how, de experiência, que não podem ser desmantelados, por força de uma diminuição da procura de cursos de ensino superior”, sustenta.
Nos cursos desta área nas universidades públicas ainda há dois terços das vagas por preencher. Na terceira fase, que terminou na semana passada, os estudantes ainda tinham 816 vagas disponíveis em licenciaturas e mestrados integrados de Engenharia Civil. Só 11 alunos foram colocados.
No início do concurso nacional havia 1100 vagas em 20 cursos. No final do processo, 553 ficaram por preencher. A grande maioria dos novos alunos foi apenas para duas instituições: as Universidades do Porto (108 colocados) e Lisboa (125), que foram as únicas que ficaram próximas de preencher a totalidade de vagas disponíveis.
De resto, há dez formações na área – entre os quais os do Instituto Politécnico de Bragança e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – que não tiveram um único aluno colocado nas duas primeiras fases. As Universidades do Algarve e da Beira Interior e o Instituto Politécnico do Porto viram apenas um estudante entrar nos seus cursos de Engenharia Civil.
A tendência é transversal a todas as áreas de Engenharia que, de acordo com a Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) abriram 9022 vagas este ano (o mesmo número do ano passado), mas a taxa de ocupação desceu de 62% para os 59%. A Engenharia Civil foi, porém, atingida com maior intensidade. E pelo segundo ano consecutivo, uma vez que no ano passado já se tinha verificado uma quebra da procura.
O impacto negativo desta realidade para o mercado da construção vai sentir-se “dentro de cinco a seis anos”, precisamente quando estes estudantes que agora chegam ao ensino superior estiverem a terminar a sua formação. A previsão é do presidente da Secção Regional do Norte da OE, Fernando Almeida Santos, e é partilhada pelos administradores das empresas de construção ouvidos pelo PÚBLICO.
“Faltarão recursos no nosso país. A partir do momento em que isso acontecer, vai ser preciso recorrer ao mercado internacional”, antecipa António Carlos Rodrigues, da Casais. “Quando o mercado começar a pedir engenheiros, não vamos ter tempo de os formar”, acrescenta José Teixeira, CEO da DST. Em menos de uma década, a empresas “estarão a pagar mais caro pelos seus engenheiros” e os melhores alunos “vão ser disputados” pelas construtoras, defende o mesmo empresário.
“Em termos de rejuvenescimento e renovação desta família profissional,  a manutenção desta tendência, a médio prazo, poderá vir a constituir um problema que venha a carecer de medidas direccionadas”, defende também fonte da Direcção Corporativa de Recursos Humanos da Mota-Engil.
A Mota-Engil lembra também a saída de engenheiros civis do país – cerca de 2000 nos últimos três anos –, que é “não apenas uma consequência natural da internacionalização” das empresas nacionais, mas também fruto da falta de oportunidades internas. “É algo que naturalmente tem que ser ponderado e que poderá constituir uma dificuldade no futuro, se se perpetuar demasiadamente no tempo”, acrescenta a mesma fonte.
Entre as construtoras, a única que não alinha por esta perspectiva, partilhada pela Ordem e pela Aiccopn, é a Soares da Costa. “Tomando em consideração a evolução recente e esperada a curto/ médio prazo do mercado de construção civil e infraestruturas, essas expetativas mais negativas são, em nosso entender, justificadas”, afirma fonte da administração.
Na construtora, que é uma das maiores nacionais, não há dúvidas, porém, que a quebra de procura dos cursos superiores de Engenharia Civil terá consequências nefastas: “Pode provocar, também uma saída do pais dos professores. Essa situação poderá levar à perda do atual capital de conhecimento, reduzindo a longo prazo a qualidade do ensino da Engenharia em Portugal, e portanto, também a longo prazo, a qualidade dos profissionais desta área”.
O que justifica que justifica este optimismo quase generalizado num sector que, nos últimos cinco anos, representou metade da quebra do investimento sentida a nível nacional e recuou para níveis de 1980? “Tem havido sinais positivos”, valoriza Reis Campos da Aiccopn, como a redução de 17,8% do número de desempregados e de 12% nas insolvências.
As expectativos do regresso ao investimento nos próximos anos também ajudam a alimentar esta ideia. O Quadro Comunitário 2014-2020 “vai pôr a construção próxima de uma produção normal”, antecipa Fernando Almeida Santos da Região Norte da Ordem de Engenheiros. “Não será ao ritmo dos anos 1990 ou do início deste século, mas haverá trabalho”, garante. O Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas anunciadp pelo governo – e que contempla 53 projetos prioritários e mais de 6 mil milhões de euros de investimentos – também é levado em conta.
Ainda assim, nem a Aiccopn nem a Ordem dos Engenheiros conseguem antecipar as necessidades de contratações de profissionais da área nos próximos cinco a dez anos. “Ao contrário do que acontece na Medicina, por exemplo, em que há um conjunto de indicadores que permitem antecipar as necessidades, na Engenharia não é fácil ter essas previsões”, diz o Bastonário da OE.
Apesar das expectativas de aumento do emprego para os próximos anos que são alimentadas pelos responsáveis do sector, a capacidade de acesso ao mercado de trabalho parece não ter interferido de forma decisiva nas preferências dos estudantes que entraram em Engenharia Civil no início deste ano lectivo. Cruzando os dados do desemprego de cada curso, que são disponibilizados pelo MEC no portal Infocursos, com os resultados das colocações no ensino superior, não se percebe uma relação entre as duas variáveis. Aliás, três dos cursos com menor índice de desemprego (na Universidade do Algarve e nos Politécnicos de Coimbra e Castelo Branco) estão entre os que têm menor número de colocados. Só no caso do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa – que tem o maior número de colocados e a menor taxa de desemprego – parece haver alguma correlação.
Na lista das instituições com maior procura estão as universidades do Porto, Coimbra, Nova de Lisboa e Minho, que têm taxas de desemprego de diplomado em Engenharia Civil superiores à média nacional da área – 8,8%, oito décima mais alta do que a taxa de desemprego entre a generalidade dos diplomados. Para a sua capacidade de atracção parece ter um papel mais relevante o prestígio das instituições em que se inserem do que os dados sobre o acesso ao mercado de trabalho.
Para as instituições de ensino superior o desafio é claro: contrariar a tendência de quebra de procura da Engenharia Civil. Algumas delas vão testando soluções para o fazer. A Universidade do Minho, por exemplo, chegou a acordo com empresas da área como a DST, a Casais, a Ascendi ou a Mota Engil, que financiam 15 bolsas para os melhores alunos do curso, pagando integralmente as suas propinas até ao final da formação. São 250 mil euros de investimento.
“Chegámos junto das empresas e avisámos: vamos deixar de vos dar engenheiros, porque não temos alunos. E eles perceberam que este apoio valia a pena”, conta o director do curso, Jorge Pais. As mesmas construtoras vão também oferecer estágios profissionais remunerados aos diplomados minhotos no final da sua formação. Além disso, a instituição celebrou um protocolo com as autoridades brasileiras que permite aos estudantes formados em Guimarães obter uma dupla titularidade do curso, que lhes permite o exercício da profissão tanto em Portugal como no Brasil.
Para a presidente do Instituto Politécnico do Porto, Rosário Gamboa, a quebra da procura dos cursos de Engenharia Civil não é só um problema da oferta no ensino superior – que até pode ser “algo exagerada”, admite –, já que a maior parte das instituições de ensino superior “tem feito o caminho que devia fazer”, aproximando-se do tecido empresarial e actualizando as formações em função do mercado. “O ensino é bom, caso contrário as empresas estrangeiras não vinham cá buscar engenheiros”, sustenta.
Para esta responsável, o problema está na “representação social da profissão”. O país precisa, por isso, de uma atitude pedagógica e concertada, entre a tutela, o ensino superior e os empresários, para “chamar a atenção para a importância da Engenharia”, defende, de modo a captar novamente o interesse dos jovens. Jorge Pais, da Universidade do Minho, concorda. “O que passa para os jovens e para as famílias são as notícias da quebra da construção em Portugal”. “Agora temos que fazer passar a mensagem contrária”.
(reprodução de artigo Público online, de 14/10/2014)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

"Novo líder escolhido pelos reitores vai continuar a enfrentar problema do financiamento"

«Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas escolhe nesta terça-feira o sucessor de António Rendas, que deixa o cargo depois de pouco mais de quatro anos.
Nos últimos quatro anos, as universidades tiveram um rosto e uma preocupação. O reitor da Nova de Lisboa, António Rendas, presidiu ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e teve que lidar com os sucessivos cortes no financiamento público do sector.
O desgaste da relação com a tutela chegou a fazê-lo apresentar a demissão, há quase um ano, mas acabou por ser a necessidade de dedicar mais tempo à sua instituição que o levou a abandonar o cargo. Esta terça-feira é escolhido o seu sucessor. O novo líder vai ter, porém, que enfrentar o mesmo tipo de problemas no início do seu mandato.
No dia seguinte à eleição do novo presidente do CRUP é apresentada proposta de Orçamento de Estado (OE) para o próximo ano. Em Agosto, o Governo comunicou às universidades um corte de 10 milhões de euros nas transferências directas de fundos públicos para os seus orçamentos. Mas as contas das instituições de ensino superior podem sofrer um impacto mais forte resultante das novas regras orçamentais, caso se confirme a notícia de que o novo orçamento coloca fim ao regime de excepção para o ensino superior, que lhe tem permitido ficar de fora das cativações de receitas próprias para os organismos da administração pública.
Se assim for, as universidades vão ter que “congelar” o uso de 15% das suas receitas próprias (como as propinas, as verbas provenientes do aluguer de espaços e o financiamento a projectos de investigação e outros serviços prestados), que nos últimos anos têm sido uma escapatória para combater a contínua redução de transferências do Estado para as instituições – só nos três anos de vigência do memorando de entendimento com a troika, o sector perdeu 260 milhões de euros.
Congelamento das receitas próprias?
Desde o início do século, o peso das receitas próprias praticamente duplicou e representa, em média, 41% dos orçamentos das instituições de ensino superior. Em várias universidades como Minho, Coimbra, Lisboa ou Algarve, estas verbas valem hoje mais de metade das suas fontes de financiamento. Ou seja, se o regime de excepção terminar, as universidades não poderão mexer, sem autorização prévia das Finanças, numa fatia de 6 a 8% dos seus orçamentos.
Se o OE para o próximo ano não trouxer mais surpresas – no ano passado as universidades queixaram-se de um corte “a mais” de 30 milhões de euros, assumido pelo Governo, mas cuja resolução se prolongou por cerca de meio ano, por exemplo – a primeira “batalha” do novo presidente do CRUP deverá ser a do congelamento das receitas próprias.
Nos meses seguintes, o dinheiro vai continuar a ser uma grande preocupação do novo líder dos reitores. O Governo quer implementar uma nova fórmula de financiamento do ensino superior – devendo ter por base parâmetros de qualidade, o número desejado de licenciados e a produção científica, entre outros indicadores – que tem que ser consensualizada com as instituições. A ideia inicial da tutela era que o novo modelo já tivesse sido aplicado ao OE para 2015, mas como a proposta só foi apresentada em Maio, não houve tempo para o fazer.
Até à Primavera, essa fórmula tem que estar definida, para viabilizar a preparação dos orçamentos de 2016 tendo em conta as novas regras. Esta foi a proposta de consequências mais imediatas entre as linhas orientadoras para a reorganização do ensino superior, apresentada pelo governo em Maio, e que continua sem dar passos visíveis.
Outro assunto decisivo para o futuro do sector que terá que ser abordado em breve pela nova liderança do CRUP é a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Uma primeira versão do documento foi entregue às instituições no Verão do ano passado, mas o processo sofreu poucos avanços desde então. O reforço da captação de estudantes internacionais para as universidades portuguesas e da sua estratégia de internacionalização, o combate ao abandono dos estudantes no superior e à quebra do número de colocados no concurso nacional de acesso sofrida nos últimos anos serão outros pontos em destaque no “caderno de encargos” do novo presidente do conselho de reitores.
A escolha do sucessor de António Rendas será feita na reunião do plenário de reitores marcada para esta terça-feira. Na votação participam os reitores das 15 universidades que compõem o CRUP – as 13 instituições públicas com existência “física” e a Universidade Aberta, especializada em ensino à distância, bem como a Universidade Católica. O novo presidente assume funções na reunião plenária seguinte, a acontecer em Novembro.
A eleição é feita em duas voltas. Na primeira, todos os reitores são candidatos e, na segunda, a escolha será feita entre os dois mais votados na fase anterior. Atendendo a este sistema, não há candidaturas assumidas entre os reitores e, em teoria, todos têm condições de vir a liderar o CRUP nos próximos três anos. No entanto, desde o momento em que Rendas anunciou a sua demissão, três nomes começaram a ganhar destaque como possíveis sucessores: António Cunha, da Universidade do Minho, Manuel Assunção, da Universidade de Aveiro e João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, os três reitores há mais tempo em funções.
"Tarefa pesada" em tempo de crise
O líder da mais antiga universidade nacional colocou-se, entretanto, à margem do processo eleitoral, em declarações à agência Lusa. Apesar de reconhecer que "todos os reitores têm de estar disponíveis" para assumir a presidência do CRUP, João Gabriel Silva sublinha que "gerir uma universidade em tempos de crise já é difícil", sendo que ainda ter de presidir ao CRUP acabar por ser uma "tarefa pesada". Além disso, o reitor de Coimbra não está nas "melhores condições" para ocupar o cargo já que o seu mandato termina em Janeiro. Os reitores do Minho e de Aveiro parecem, por isso, os melhores colocados para assumir o cargo e ainda que não o assumam, também não recusam também essa opção.
Já António Rendas deixa o cargo para o qual tinha sido eleito em Fevereiro de 2010, substituindo Seabra Santos, então reitor da Universidade de Coimbra e que tinha sido presidente do CRUP nos três anos anteriores. A demissão foi apresentada com alguma surpresa, no final da última reunião do CRUP, que decorreu no final do mês passado, tendo invocado a necessidade de se dedicar mais à sua instituição, a Universidade Nova de Lisboa (UNL), para deixar o lugar.
(reprodução de notícia Público online, de 13/10/2014)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

domingo, 12 de Outubro de 2014

"Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas"

"Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas. As pessoas imaginam os seus próprios campos de rosas. E às vezes estou na frente dos campos como se morresse." 

H. Helder