segunda-feira, 26 de outubro de 2009

UNIVERSIDADE DO MINHO: UMA NOVA ETAPA

Escrevia neste jornal há um ano que os novos estatutos da UM aguardavam apenas a homologação do Ministério para entrarem em vigor.
A homologação não demorou muito tempo e desde então muitas coisas se passaram na Universidade do Minho entre as quais a eleição do Conselho Geral (2 de Março de 2009) , a eleição dos membros do Senado Académico pelos pares (30 de Abril) e a eleição do novo Reitor (7 de Outubro), por renúncia do anterior.
Infelizmente, passado um ano a UM ainda vive uma fase de transição. Para completar o novo quadro estatutário é preciso ainda eleger os órgãos de todas as escolas e com eles também preencher os lugares dos membros por inerência do Senado Académico, órgão consultivo.
A UM precisa de entrar por inteiro numa nova fase e para isso faz falta a rápida entrada em funções do novo Reitor Professor António Cunha. Ele foi escolhido pelo Conselho Geral à primeira volta e por maioria absoluta, tendo todas as condições para exercer em pleno as suas importantes funções de acordo com as deliberações que o Conselho Geral, órgão máximo de governo da UM, aprovar.
Fica para trás um período que, por razões diversas, correu menos bem na vida da UM mas que não atingiu o que nela é essencial. A essência da UM continua a ser a de constituir uma das melhores universidades do nosso país, disputando sobre qualquer dos critérios que se quiser utilizar os primeiros lugares de entre elas. Faz parte do pequeno grupo de três universidades que cobrem os principais ramos do saber (Coimbra, Porto e Minho). É de notar que nenhuma das universidades de Lisboa é universidade completa e à própria Universidade de Lisboa (conhecida como a “Clássica”) faltam importantes ramos do saber como, por exemplo, as Engenharias.
A UM tem mais de mil professores e investigadores (1093), a grande maioria deles doutorados, tem mais de dezasseis mil estudantes (16 197) e mais de mil funcionários (1352). Estes dados estão sempre em actualização e o seu orçamento ultrapassa os cem milhões de euros.
As suas 10 escolas (faculdades na designação tradicional), que têm a seu cargo cerca de 50 cursos de licenciatura, cobrem os domínios das letras, do direito, das engenharias, incluindo a informática, da arquitectura, das ciências, da economia e gestão, da educação, das ciências sociais (história, sociologia, comunicação), da psicologia e da medicina (ciências da saúde). Acresce ainda a recente integração da Escola politécnica de Enfermagem.
Contam-se ainda por algumas dezenas os centros de investigação, boa parte deles altamente classificados pelas entidades competentes e são de mencionar também dezenas de entidades de extensão universitária e unidades culturais que muito a enriquecem.
Cabe-lhe agora, nesta nova e muito importante etapa, aumentar a qualidade, tornar-se cada vez mais uma universidade de referência no ensino e na investigação já não só a nível nacional como internacional e, neste âmbito, a nível europeu. Precisa também de fazer uma ligação cada vez mais forte com a sociedade envolvente.
Não vai ser fácil a tarefa que o Conselho Geral, o Reitor e o Senado Académico vão ter pela frente. Mas tudo se tornará mais claro se houver, como seguramente haverá, objectivos bem determinados e forte empenho em os levar a cabo. Importa mobilizar a comunidade académica no seu todo, fazer circular a informação, dentro e fora da instituição e contribuir para formar uma opinião bem esclarecida e interveniente.
Temos o hábito de pôr toda a responsabilidade sobre os ombros do Reitor. É um erro. O Reitor é fundamental mas isolado ou rodeado de um pequeno grupo nunca pode chegar a bom porto. No novo sistema de órgãos das universidades o Conselho Geral ocupa um lugar fundamental e o Reitor que foi eleito sabe bem que assim é.
O funcionamento da nossa universidade vai passar por uma cooperação activa e muito estreita entre o Conselho Geral e o Reitor no respeito integral das respectivas competências. A Universidade do Minho e o país terão tudo a ganhar procedendo dessa forma.

António Cândido de Oliveira

Professor Universitário
Membro do Conselho Geral da UM
(artigo de opinião publicado em 2009/10/20 no JN-edição Norte)

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