domingo, 13 de novembro de 2016

"Universidades devem usar ´folga` no orçamento para contratar doutorados"

«“O Orçamento do Ensino Superior cresce 70 milhões de euros em 2017. Como efetivamente a massa salarial diminuiu até 2015, há naturalmente uma folga [para contratações]”, assume Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao “Diário de Notícias”

A folga orçamental que algumas das universidades portuguesas vão ter neste ano letivo deve ser utilizada para contratar doutorados, defende Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta sexta-feira.
Porém, trata-se de uma folga que não saiu do nada, mas sim da crise que muitas dessas instituições sofreram durante alguns dos últimos anos. A massa salarial diminuiu devido à “saída de pessoas”: situações de “emigração forçada”, abandono, admite o ministro.
“O Orçamento do Ensino Superior cresce 70 milhões de euros. Há um aumento efetivo. É verdade, concretizámos o compromisso da reposição, e estamos a aumentar efetivamente o orçamento. (…) como efetivamente a massa salarial diminuiu até 2015, há naturalmente uma folga. Mesmo em 2016, a massa salarial, pelo menos no primeiro semestre, diminuiu e tem vindo a diminuir desde 2011”, disse.
Só entre 2011 e 2015, “saíram mais de mil docentes do ensino superior”. Ou seja, se a massa salarial se tivesse mantido, “era verdade” que não haveria margem de manobra para contratações. Mas como a massa salarial diminuiu desde 2011 até ao primeiro semestre de 2016, “há uma folga”. ”E tanto há que há instituições, a Universidade de Lisboa entre outras, que já estão a abrir concursos”, disse, frisando ainda que mantém a ambição de que sejam contratados 2000 doutorados até 2019 para o ensino superior público.»

(reprodução de notícia EXPRESSO online, de  11.11.2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

sábado, 12 de novembro de 2016

"´Fuga de cérebros` é uma ameaça"

«A Comissão Europeia (CE) considera que a competitividade de Portugal está em risco caso a “fuga de cérebros” para o exterior, que se registou nos últimos anos, não seja compensada “por fluxos de pessoas com qualificações equivalentes”.
No Monitor da Educação e Formação 2016, a CE refere que entre 2001 e 2011 houve um aumento de 87,5% na percentagem de portugueses com um diploma universitário que abandonaram o país.
O pico desta debandada registou-se entre 2012 e 2014, em plena crise económica. Nesses dois anos, saíram do país 40 mil portugueses altamente qualificados. Portugal tornou-se assim num dos países europeus com a taxa mais elevada de pessoas altamente qualificadas que emigraram. A agravar este fluxo existe ainda este dado: quase 20% dos emigrantes portugueses altamente qualificados não pensam em voltar antes de passarem seis a dez anos e 43% dizem que ficarão fora mais de uma década.
Entre as principais razões para esta fuga, segundo o relatório, estão o desemprego, os baixos níveis de salários e as perspectivas limitadas de progressão.»


[cortesia de Nuno Soares da Silva]

"Ministro da Ciência assume “responsabilidade política” nos atrasos nas bolsas"

«Resultados do concurso das bolsas de investigação serão divulgados até 28 de Fevereiro de 2017. No próximo ano, também vai ser criado um observatório do emprego científico.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, assumiu esta sexta-feira, no Parlamento, a “responsabilidade política” nos atrasos na divulgação dos resultados do concurso das bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, atribuindo os atrasos ao “aumento brutal” de candidaturas.
“Assumo, politicamente, a responsabilidade por este processo”, afirmou Manuel Heitor, assinalando que “o corpo excelente” de funcionários da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) “não conseguiu dar resposta” ao “aumento brutal do número de candidaturas”.
O ministro foi interpelado pelo PSD e pelo BE sobre os atrasos na publicação dos resultados do concurso de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento da FCT, no debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado de 2017 para o sector, e que decorre no plenário da Assembleia da República.
Os resultados do concurso, de 2016, deviam ser publicados até 23 de Novembro. Contudo, a FCT, principal entidade de financiamento público da investigação científica em Portugal, decidiu prorrogar o prazo, até 28 de Fevereiro, justificando o adiamento com o “volume de candidaturas” e a “complexidade do processo” da sua avaliação.
A FCT tinha adiantado, numa resposta a um pedido de esclarecimento feito pela Lusa em Outubro, que as bolsas, a atribuir, serão pagas retroactivamente apenas nos casos em que os planos de trabalho, previamente definidos pelos candidatos, se iniciavam entre 1 de Outubro e a divulgação dos resultados do concurso.
A Associação de Bolseiros de Investigação Científica convocou para 23 de Novembro um protesto à porta da FCT, em Lisboa.
As candidaturas ao concurso de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento decorreram, este ano, de 15 de Junho a 15 de Julho. A este tipo de concurso, que é anual, podem candidatar-se, individualmente, pessoas com formação superior. Para receberem a bolsa, os seus beneficiários não podem ter outros trabalhos com os quais possam obter rendimentos.
O concurso de 2016 prevê a atribuição de 800 bolsas de doutoramento e 400 de pós-doutoramento. Em comparação com o concurso de 2015, o número de bolsas de doutoramento a conceder este ano quase que duplica. Ao contrário, o número de bolsas de pós-doutoramento diminui na ordem das 180. O programa do Governo, para a ciência, aponta para a progressiva substituição de bolsas de pós-doutoramento pela contratação, a termo, de doutorados.

Um observatório do emprego científico

Interpelado sobre o emprego científico, Manuel Heitor também anunciou no Parlamento que a contratação de investigadores e professores do ensino superior vai ser monitorizada por um observatório do emprego científico, que irá divulgar periodicamente dados sobre os processos.
O ministro disse que os dados serão divulgados duas vezes por ano e que o observatório, que começará a funcionar em Janeiro, resultará de uma colaboração entre a Direcção-Geral do Ensino Superior, a Direcção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência e a FCT.
De acordo com o plano para a concretização do programa de estímulo ao emprego científico, divulgado anteriormente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, “passarão a ser divulgados relatórios de emprego científico, incluindo a análise de níveis de rejuvenescimento institucional e da redução da precariedade dos vínculos na actividade de investigação e desenvolvimento”. Com este observatório, o Governo pretende “melhor consagrar o esforço colectivo de estimular o emprego científico em Portugal”.
Durante o debate, PSD, PCP e BE criticaram a contratação, a termo, prevista no programa de estímulo ao emprego científico, por não garantir estabilidade aos investigadores.
O ministro Manuel Heitor apresentou o programa como uma iniciativa para travar a emigração e o envelhecimento do corpo docente e científico, além de substituir progressivamente bolsas por contratos efectivos de trabalho. O Governo estabeleceu como meta a contratação, até 2020, de 3000 doutorados.»

(reprodução de notícia PÚBLICO online, de 11/11/2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Ministro quer que universidades usem folga orçamental para contratar"

«O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Manuel Heitor defende, em entrevista, que 2017 será o ano da retoma

O Sindicato do Ensino Superior (SNESUP), depois de olhar para a proposta de Orçamento, questionou a viabilidade da promessa de criar 2000 novos contratos para doutorados até 2019. Mantém os números?
Claro que reafirmo todos os números mas temos de ter bom-senso e de ser realistas. O emprego científico é porventura um dos maiores desafios, certamente de Portugal, mas de toda a comunidade científica na Europa. O que estamos a fazer, e era um compromisso do governo, é resolver um problema de precariedade a nível pós-doutoral, associado ao abuso da figura do bolseiro de post-doc para funções normais de investigação. É esse o assunto que estamos a tratar.
O que está a oferecer não é a solução mas só uma saída para doutorados?
É uma saída, entre outras. Em 2005, formávamos cerca de 700 novos doutores por ano. Hoje formamos 3000. Eles vão para o emprego normal e também há aqueles que escolhem a vida científica. Obviamente que este processo de crescente precariedade foi desenvolvido nos últimos anos porque também foram bloqueadas e proibidas todas as contratações dentro das instituições de ensino superior, entre 2012 e 2015.
O que diz o SNESUP é que estes contratos também não trazem estabilidade...
O meu argumento para os sindicatos é que o regime que foi instaurado não pode ser visto como isolado da possibilidade que hoje está consagrada de as instituições do ensino superior reforçarem os seus quadros. É neste processo de evolução que nós estamos a tentar reforçar e rejuvenescer as instituições, e dando sobretudo condições dignas ao trabalho científico.
Mas o que estes lhe respondem é que, olhando para os números do orçamento, e tendo em conta que será preciso repor valores de vencimentos cortados, não veem essa margem para as instituições contratarem...
Não me digam que os sindicatos queriam que se voltasse à situação de 2015, de nem ser possível contratar. O Orçamento do Ensino Superior cresce 70 milhões de euros. Há um aumento efetivo. É verdade, concretizámos o compromisso da reposição, e estamos a aumentar efetivamente o orçamento. Mas, mais do que isso, o contrato que fizemos com os politécnicos e com as universidades assume o compromisso de a reposição salarial ser feita aos valores de 2013. E, como efetivamente a massa salarial diminuiu até 2015, há naturalmente uma folga. Mesmo em 2016, a massa salarial, pelo menos no primeiro semestre, diminuiu e tem vindo a diminuir desde 2011.
Diminuiu essencialmente por via das aposentações?
Por saída de pessoas. Entre 2011 e 2015 saíram mais de mil docentes do ensino superior, devido ao processo de abandono e de emigração forçada, por saídas normais, etc. Se a massa salarial se tivesse mantido, isso [o argumento de que não há margem] era verdade. Como a massa salarial diminuiu desde 2011 até ao primeiro semestre de 2016, estamos efetivamente a repor aos níveis de 2013. Portanto há uma folga. E tanto há que há instituições, a Universidade de Lisboa entre outras, que já estão a abrir concursos. Temos estimulado quer os politécnicos quer as universidades a abrirem concursos e a aproveitarem esta oportunidade única para abrirem os quadros de pessoal. Portanto, repito, há um aumento efetivo face àquilo que é naturalmente também o constrangimento imposto a Portugal.
As instituições, nomeadamente as universidades, muitas vezes mais do que das verbas das dotações queixam-se das cativações. De não poderem usar até receitas próprias ....
Esse assunto está resolvido.
Existe um compromisso, nomeadamente no atual Orçamento do Estado. Mas pode garantir que estas cativações não irão surgir, por exemplo se vierem a ser exigidas mais medidas de austeridade?
Todos nós, em democracia, temos de apresentar todos os anos um orçamento. Felizmente, em Portugal, assinámos um contrato para toda a legislatura onde garantimos que não há cativações. E todos os anos os portugueses vão ter oportunidade de dizer se consagramos ou não o que está nos contratos. O que hoje podemos dizer é que o orçamento para 2017 consagra integralmente o que nós contratualizámos com as universidades e com os politécnicos, de não haver cativações e espero que este processo assim permaneça.
As bolsas de mérito para estudantes do ensino superior já não são pagas há vários anos. Prometeu desbloquear a questão. Está para breve?
Hoje [quarta-feira] já autorizei o primeiro pagamento. O nosso compromisso é, até ao fim da legislatura, pagar todos os atrasos e hoje já autorizámos a primeira tranche para pagar, ainda em 2016, a primeira fase. Iremos libertando os pagamentos. Isto conseguiu-se devido a uma monitorização que fizemos muito minuciosa da execução de 2016, porque criámos um grupo de monitorização, que possibilitou trabalhar com as instituições e libertar verbas. Por isso estamos a pagar já a primeira tranche em atraso. De facto herdámos muitos anos em atraso. Quando chegámos ao Ministério detetei que havia, desde 2012, atrasos...
Qual era o valor total em dívida?
Cerca de oito milhões de euros em dívida e vamos já pagar em 2016 cerca de dois milhões de euros. Eu comprometo-me, na medida do possível, a fazer todos os esforços para que todos os atrasos sejam desfeitos no prazo da legislatura. Não é nada que possamos fazer de um dia par ao outro mas vamos já pagar no próximo mês o primeiro ano em atraso.
O presidente da Secção Regional Centro da Ordem dos Médicos responsabilizou-o pela emigração de profissionais do setor, falando em falta de planeamento e alunos a mais. Admite baixar o numerus clausus, de Medicina ou qualquer outra área?
Não contem comigo para diminuir os numerus clausus. O que Portugal tem é poucos estudantes, não são - como já disse - instituições a mais. Ainda temos só cerca de 39% dos jovens com vinte anos no ensino superior. E hoje chegamos a vários hospitais que têm obviamente défice. Penso que temos que garantir o aumento da qualificação da população portuguesa e, na área da Medicina em particular, também a qualidade e a proximidade com a atividade clínica. Estamos a trabalhar de muito perto com o Ministério da Saúde, no estímulo e no reforço dos chamados centros académicos clínicos, também reforçando não só a formação médica mas também dos técnicos de saúde e os enfermeiros para melhor podermos reforçar a qualidade do ensino.
"Vamos aumentar a participação na Agência Espacial Europeia"
Já admitiu que o aumento do orçamento não é o que desejaria, nomeadamente no setor da Investigação e desenvolvimento (I&D). Onde gostaria de poder fazer mais?
Desde pelo menos 2007/2008 que não havia um aumento tão grande, que assenta nomeadamente no facto de o orçamento concretizar a promessa do governo de reposição salarial. Que sabemos que se concretiza também num aumento da despesa em investigação porque os salários são a questão crítica. O orçamento tem um aumento. Quando já nós tínhamos chegado a 1,6% do PIB, e depois de um sistema de contração, sabemos que este orçamento é a retoma. E penso que a minha principal função será acelerar essa retoma. Vai demorar algum tempo. Onde é que poderemos fazer mais? Certamente acelerando o estímulo ao emprego científico e acelerando aquilo que é a relação entre a ciência e a sociedade.
A propósito dessa relação com a sociedade, como será gerido o orçamento participativo em ciência?
É um processo inédito em Portugal, que passa por pedir à sociedade civil que participe na definição dos programas de investigação. O Ciência Viva, entre outros, foi um processo de estimular a promoção da divulgação da ciência, pedindo aos investigadores que venham dizer à sociedade o que estão a fazer. Esse foi um momento importante e tivemos 20 anos de Ciência Viva. Agora penso que, à semelhança do que está a acontecer noutros pontos do mundo, nomeadamente na Holanda e também na Califórnia, nos Estados Unidos, é que para além de se pedir aos investigadores que comuniquem o que fazem, é pedir às pessoas que participem na primeira fase de definição dos problemas. Quem faz ciência são os cientistas. O que se pede é que as pessoas participem na definição dos problemas que os cientistas abordam.
Serão três milhões de euros do orçamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) para isso?
O meu compromisso foi chegar ao fim da legislatura com 1% do orçamento da FCT, e 1% neste momento são quatro milhões. Esperemos que no fim da legislatura seja mais. Mas é muito dinheiro. O resto é feito da forma normal: um bolseiro que seja candidato é ele que diz, com o seu orientador, o que vai fazer. E mesmo neste caso tem de haver um entendimento.
Nas rubricas do orçamento do ministério para as Instituições I&D e cooperação internacional vemos uma diminuição. Como se explicam essas reduções?
O orçamento mostra uma reorientação de reforçar os recursos humanos, na formação avançada, formação ao nível das bolsas de doutoramento e emprego científico. Essa é estrategicamente a política. Vamos reforçar essa componente com fundos nacionais e comunitários. As outras rubricas foram mantidas mas como em 2016, como foi o fecho do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional], tinham sido feitos uma série de pagamentos que estavam em atraso, parece que é uma diminuição. Mas nós mantemos o nível. Toda a ciência trabalha em programas plurianuais: um programa de investigação são quatro ou cinco anos. Os nossos compromissos novos serão todos em recursos humanos mas cumprimos os compromissos assumidos nas instituições.
E em relação à cooperação científica internacional?
Na cooperação científica também. Os contratos são todos de cinco ou 10 anos. Neste momento posso dizer o que vou pagar ao CERN [Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear] na próxima década, porque estão todos estipulados. Mantemos os contratos, não vai haver contratos novos, e pomos toda a parte nova em recursos humanos.
À beira da reunião ministerial da ESA [Agência Espacial Europeia], em dezembro, os investimentos vão manter-se, tendo nós uma indústria aeroespacial agora com maior capacidade de participação nos projetos e nos concursos?
Boa pergunta. Estamos a negociar com a ESA mas vamos anunciar na cimeira ministerial um aumento considerável do reforço da nossa participação. Porquê? Não é só por o espaço ser algo engraçado. A ciência e a tecnologia do espaço evoluíram radicalmente e vão evoluir muito nas próximas décadas. Aqui há uns anos, lançar um satélite custaria eventualmente cinco milhões de euros. Hoje é possível lançar satélites mais pequenos, com a mesma capacidade, [gastando] à volta de 150 a 200 mil euros. As chamadas novas indústrias do espaço não substituem as grandes, as antigas irão continuar. Iremos continuar a ter o Ariane, os grandes satélites. Mas é possível hoje pequenos países como Portugal acederem à democratização do acesso ao espaço e, com isso, desenvolver pequenas empresas de base científica e tecnológica, sobretudo na área da observação da Terra. O projeto que estamos a tentar lançar na Plataforma Atlântica, tendo como base os Açores, também tem uma componente importante de desenvolvimento empresarial nessa área. E, por isso, parece-nos que 15 anos após a participação na ESA, deveríamos reforçar agora.
E o reforço será de...?
Estamos a trabalhar com as empresas para a evolução para um novo modelo. Até aqui, tudo era a FCT, com algumas contribuições da Economia para o pagamento da ESA. Criaram-se novas empresas. E a Fundação para a Ciência e Tecnologia está a falar com todas as empresas no sentido de evoluirmos com outros processos de corresponsabilização do pagamento da quota. Para aumentarmos a quota, uma vez que o retorno é sobretudo económico, também temos que ter uma maior participação do setor económico na quota.
O retorno é de dois para um...
Sensivelmente. Nós pagamos cerca de 15 milhões de euros por ano e o retorno económico é sensivelmente de 30 milhões para as empresas. Por isso é que o processo do Atlântico e dos Açores é tão importante, porque estimula o desenvolvimento científico, a cooperação e a centralidade de Portugal no mundo, mas também o desenvolvimento económico, sobretudo em áreas emergentes, como as tecnologias espaciais.
Pensando na vertente Atlântica, e depois das eleições nos Estados Unidos, em que pé é que estamos?
Temos que confiar. Estamos a reforçar uma parceria muito forte com o Sul - O Brasil de um lado, África do Sul, a Nigéria, Angola, Marrocos e, no quadro europeu, certamente o Atlântico Norte: a Noruega, o Reino Unido, a Suécia....
Não referiu os Estados Unidos. Havia diálogo com a atual administração...
Com a atual administração, sim. Mas a democracia é isto mesmo e iremos continuar o nosso esforço. Obviamente os Estados Unidos influenciam qualquer projeto feito no Atlântico e portanto será certamente dependente [destes] e iremos trabalhar nesse sentido. Mas o projeto irá avançar.»

(reprodução de entrevista DIÁRIO  DE NOTÍCIAS online, de 11 de novembro de 2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

"Universidade de Aveiro: Comunidade estrangeira já chega aos 12 por cento"

«A comunidade estrangeira da Universidade de Aveiro (UA) ronda actualmente os 12 por cento, revelou ontem o reitor, Manuel Assunção, na abertura do novo ano lectivo. Numa intervenção centrada no processo de internacionalização do ensino superior nacional, o responsável saudou os “caminhos de reforço, no exterior, de uma imagem internacional forte das universidades portuguesas”. No caso de Aveiro, o “ambiente internacional” que se vive na cidade universitária mostra que “a UA não tem descurado” o seu trabalho de ganhar uma “vocação global”, contribuindo para “um melhor posicionamento de Portugal enquanto exportador de ensino superior de excelência”.» 
Leia a notícia completa na edição em papel.

(reprodução de notícia DIÁRIO DE LEIRIA, de 10 de novembro de 2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"ICS e seis escolas da UMinho criam curso de ´Proteção Civil e Gestão do Território`"

«O ICS da UMinho cortou ontem o bolo dos 40 anos de vida. Na sessão comemorativa, com a presença da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e do reitor da UMinho, a presidente do ICS anunciou que a licenciatura em Proteção Civil e Gestão do Território" já tem luz verde.

O Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (ICS) e mais seis escolas da UMinho já têm luz verde para avançar com a licenciatura em "Proteção Civil e Gestão do Território". O anúncio foi feito ontem por Helena Sousa,  na sessão comemorativa dos 40 anos do ICS, que contou com a presença da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o reitor António Cunha, muitos antigos presidentes do ICS, autarcas de Braga e de Guimarães, para além do convidado especial, o holandês Cees Hamelink que, com uma conferência estonteante, abalou com a plateia e atuais estruturas universitárias.  
Foi com a plateia do auditório B1 da UMinho completamente cheio que  Helena Sousa, presidente do ISC anunciou que, depois do arranque, com «fortíssima procura» do curso de "Criminologia e Justiça Criminal",  foi aprovada, recentemente, a licenciatura em "Proteção Civil e Gestão do Território". Foi criada sob proposta conjunta do ICS e da Escola de Engenharia e que conta com a participação das escolas de Ciências, Direito, Educação, Psicologia e Enfermagem, todas da UMinho.  
Helena Sousa acrescentou que a licenciatura já tem luz verde da A3ES – Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior – e registada na DGES. «Com esta iniciativa, o ICS, principalmente através do seu Departamento de Geografia – pretende responder aos novos desafios da prevenção e da proteção civil e às mais prementes necessidades ao nível da gestão das florestas e do território. A sociedade precisa de recursos humanos altamente qualificados na proteção civil e da gestão do território e a universidade tem que ser capaz de responder à complexidade e à urgência desta exigência», disse.
Um anúncio que, de certa forma, respondeu ao pensamento do reitor da UMinho, segundo o qual, as universidades são chamadas a ter impacto na sociedade, porque esta assim exige. «A sociedade exige hoje que as universidades façam bem e mostrem o que fazem», disse António Cunha, que lembrou ainda os dois tempos das universidades: um tempo longo, mais profundo, de investigação; e um tempo de respostas à sociedade. O reitor elogiou o ICS, considerando-o um «modelo de ensino e inevestigação», além da cooperação interna, com outras escolas da UM; e cooperação externa, com outras universidades.
Por seu turno, a secretária de Estado, Maria Fernanda Rollo, que manifestou satisfação por mais  presença na UM, pediu uma reflexão séria sobre a questão da docência e da investigação, criticando o facto, entre 40 a 50 por cento dos docentes não estarem ligados à investigação, de forma integrada.»

(reprodução de notícia DIÁRIO DO MINHO, de novembro de 2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Novo aviso dos reitores: congelamento de propinas só com mais financiamento"

«As verbas pagas pelos estudantes pela frequência dos seus cursos são 15 a 20% do orçamento anual das universidades públicas.

Se o Parlamento ou o Governo quiserem mexer no quadro legal que rege as propinas cobradas pelas universidades aos seus alunos, será necessário rever também o financiamento público ao sector. O aviso saiu do plenário do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) desta segunda-feira e é uma reacção às propostas de lei que tinham sido apresentadas, em Setembro, pelo PCP e pelo BE, que defendiam um congelamento no valor das propinas. Os reitores garantem também o seu compromisso para que nenhum estudante deixe o superior por dificuldades económicas.
“Eventuais alterações ao quadro legal relativo às propinas universitárias não devem ser feitas de modo desarticulado com os demais mecanismos de financiamento público do ensino superior”, sublinha o CRUP, em comunicado.
O órgão representativo dos reitores mostra “total disponibilidade e interesse” para uma discussão à volta de um novo modelo de financiamento do sector, mas recorda que as propinas têm hoje um peso determinante nos orçamentos das instituições de ensino superior, face às dificuldades dos últimos anos. As verbas pagas pelos estudantes pela frequência dos seus cursos correspondem hoje a 15 a 20% do orçamento anual das universidades públicas e totalizam mais de um terço do valor da dotação em Orçamento de Estado destinada às mesmas instituições.

Ninguém de fora

No final de Setembro, os reitores já tinham feito um aviso semelhante, na véspera de duas propostas de lei apresentadas pelo PCP e o BE, que pretendiam congelar o valor das propinas no ensino superior público. Acabaram ambas por ser chumbadas, com os votos contra do PS. No comunicado emitido esta segunda-feira, os reitores afirmam que essas propostas motivaram “uma ampla reflexão sobre a matéria” dentro do CRUP.
Além dos avisos sobre as propinas, os reitores das universidades públicas sublinham, no mesmo comunicado, “o seu compromisso e total empenho” para encontrar soluções que garantam que nenhum estudante abandona o ensino superior por dificuldades económicas. O CRUP lembra, por isso, que, além das bolsas de acção social escolas – com as quais o Governo paga as propinas de cerca de 62.500 alunos – muitas universidades encontraram nos últimos anos soluções de emergência para garantir o apoio aos estudantes mais vulneráveis.»

(reprodução de notícia PÚBLICO online, de 07/11/2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

"Projectos entre empresas e universidades dispararam 72% no último ano"

«As empresas estão cada vez mais voltadas para a incorporação da ciência e tecnologia. Os projectos apresentados este ano ao Portugal 2020 aumentaram para 472 e as verbas da UE duplicaram em cinco anos.

A relação entre as empresas portuguesas e as instituições do sistema científico e tecnológico está cada vez mais íntima e intensa. A primeira chamada para apresentação de projectos do anterior quadro de fundos estruturais, o QREN, mereceu o interesse de menos de 100 consórcios que envolviam 90 empresas; sete anos depois, na primeira chamada do Portugal 2020, o número de propostas aumentou 35%, o investimento envolvido subiu 32% para 240 milhões de euros e o número de empresas cresceu para 270. E do ano passado para 2016, essa tendência explodiu: o número de candidaturas de consórcios de empresas, faculdades e centros de investigação apresentadas este ano aos programas de financiamento para a inovação e para a incorporação de ciência e tecnologia do Portugal 2020 quase duplicou, passando de 274 para 472 propostas apresentadas (mais 72%).  
Estará a haver uma mudança de fundo no perfil das empresas nacionais, que subitamente as torna mais interessadas nos contributos que as universidades ou os chamados “centros de interface” lhes podem dar? José Carlos Caldeira, da Agência Nacional de Inovação (ANI), que gere e acompanha os projectos de Investigação e Desenvolvimento Colaborativo e dinamiza o “empreendedorismo de base científica e tecnológica” até à sua fase de financiamento não duvida: “Estamos a sentir uma evolução muito positiva”.
José Manuel Mendonça, presidente do INESC TEC, concorda e sublinha: “Estamos a assistir a uma mudança estrutural”. Que se pode medir pelo número de consórcios envolvidos, pelo volume de investimento mobilizado e, principalmente “pelo alargamento da base das empresas que se empenham em apostar nestes processos”, diz por seu lado o presidente da ANI. “Somos assediados de tal maneira pelas empresas que temos de ter cuidado para manter o nível da nossa investigação”, diz mesmo José Manuel Mendonça.
Considerando as empresas que responderam à primeira chamada para apresentação de projectos no âmbito do Portugal 2020, a ANI constatou que metade das 270 estava a investir pela primeira vez na incorporação de ciência e tecnologia nos seus produtos ou processos. E quase um quarto das empresas tinha nascido há menos de três anos. “A transferência de tecnologia para a economia está-se a valorizar e a aprofundar. Há uma série de ideias pré-concebidas sobre esse processo que começam a perder a validade do passado”, explica José Carlos Caldeira, um engenheiro que trabalhou no INESC TEC e acumula um longo currículo na ligação entre a universidade e as empresas. "Há muito que tínhamos percebido que a ligação entre o sector privado e as instituições de investigação iria aumentar. Mas não na escala actual”, diz o presidente da ANI.
Até porque a adesão das empresas a consórcios para obtenção de financiamento destinado à ciência e tecnologia não se verifica apenas nos eixos do Portugal 2020. Também começa a haver uma pequena revolução nas candidaturas directas de entidades nacionais ao programa europeu Horizonte 2020, que dispõe de 78 mil milhões de euros para reforçar a incorporação de conhecimento na economia da União.
Até 2010, os projectos portugueses apresentados ao programa ficaram sempre abaixo de 1% do financiamento global europeu – nesse ano, os consórcios portugueses receberam 58,8 milhões de euros de financiamento. Mas, depois de 2010, os cortes nos programas científicos nacionais “obrigaram-nos a concorrer aos fundos europeus”, nota José Manuel Mendonça. Em 2012 os portugueses receberam já 109 milhões de euros, em 2014 145,4 milhões, e se no ano passado houve um recuo, este ano Portugal obteve já 70,1 milhões de euros quando faltavam ainda distribuir metade das verbas do programa.
Com estes números, “deixámos de ser contribuintes líquidos dos programas europeus”, nota José Carlos Caldeira. Portugal é responsável por 1,5% do financiamento do programa e depois de 2014 passou para a condição de recebedor líquido. Este ano, os projectos nacionais representam 1,7% do financiamento concedido. “É pouco? Sim, ainda é pouco. Mas o programa é muito competitivo e as taxas de aprovação dos projectos portugueses são muito boas”, nota o presidente da ANI. No eixo do Horizonte 2020 para as pequenas e médias empresas, Portugal contava no segundo trimestre com 49 projectos aprovados, o que coloca o país no top 10 dos países com mais candidaturas aceites, de acordo com o Diário de Notícias. “As empresas perderam o medo de concorrer com os europeus”, nota José Manuel Mendonça.
O impacte económico desta dinâmica “só se faz sentir a médio prazo”, avisa José Carlos Caldeira, mas, para já, o que vale a pena sublinhar “é uma nova atitude quer das empresas, quer do sistema científico e tecnológico”. No caso das universidades e centros de interface, o recurso aos fundos estruturais ou ao Horizonte 2020 tornou-se crucial para poder manter os seus quadros – desde a crise, o INESC TEC quase duplicou as suas receitas, de nove para 16 milhões de euros. Nas empresas, a mudança tem razões ainda mais profundas. Em primeiro lugar, o que as move é o sentimento de que têm de sobreviver na exportação, onde o mercado é mais competitivo. Mas há outra razão crucial: “nas empresas, sejam de sectores tradicionais ou não, há uma nova geração, com mais qualificação e com mais mundo”, conclui o presidente da ANI.»

(reprodução de notícia PÚBLICO  online, de 07/11/2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

domingo, 6 de novembro de 2016

"Acervo de Herberto Hélder disponível para consulta na Universidade do Porto"

«Investigadores reúnem-se no Funchal em congresso internacional dedicado ao poeta nascido na Madeira. Entre 21 e 23 novembro, especialistas portugueses, brasileiros e franceses vão debater a obra de Herberto Hélder, nome marcante da poesia portuguesa do século XX
Os textos dispersos de Herberto Hélder, entre os quais alguns inéditos, estão disponíveis para consulta na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A viúva do poeta – falecido a 23 de março de 2015 – autorizou a digitalização do acervo, um trabalho dirigido pela Faculdade de Letras e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. A digitalização está concluída e é possível consultar os textos deixados em vários cadernos, escritos dispersos e até uma recolha de quadras populares sobre as bordadeiras do Monte, freguesia do Funchal de onde era natural o pai do poeta.
A informação sobre a abertura do acervo para consulta – cuja gestão é da Faculdade de Letras do Porto – foi avançada ao Expresso por Diana Pimentel, professora da Universidade da Madeira e presidente da comissão organizadora do congresso internacional sobre Herberto Hélder, encontro que juntará no Funchal, entre 21 e 23 de novembro, especialistas portugueses, brasileiros e franceses. O “Congresso Internacional Heberto Hélder – uma vida inteira para fundar um poema” é o primeiro encontro desta natureza a realizar-se em Portugal. Em 2013, teve lugar um colóquio internacional sobre o poeta, mas na Sorbonne, em França.
“O Herberto Hélder é, neste momento, um dos autores mais lidos em universidades como a Sorbonne, que lhe dedicou em 2013 um colóquio internacional. A Universidade Federal Fluminense tem um grupo de estudos onde Herberto Hélder é um dos autores mais estudados e há uma nova geração de investigadores – na casa dos 30 anos – a dedicar os seus mestrados e doutoramentos ao estudo da obra de Herberto Hélder”. Um interesse que, segundo a presidente da comissão organizadora do congresso, se justifica pelo que o autor representa para a poesia portuguesa do século XX. Diana Pimentel não tem dúvidas em dizer que, na poesia e considerando o século passado, há dois nomes incontornáveis: Fernando Pessoa e Herberto Hélder.
Desde que começou a publicar nos anos 50 do século passado, Herberto Hélder é “como que espécie de rochedo” e qualquer obra sua publicada teve o efeito “de um abalo sísmico”. “Nada daquilo sobre que Herberto escreveu, estou a falar do estilo da escrita, era possível ser comparado. Foi preciso aprender a ler Herberto durante meio século. Agora, após a sua morte, é que se começa a conseguir observar o conjunto todo no sentido de conseguir compreender uma obra imensa que, em dimensão, em qualidade e em impacto corresponde literalmente a um sismo só comparável a Camões”, explica a professora da Universidade da Madeira, que é também investigadora da obra do poeta.
O autor escreveu ficção, pensou a linguagem e a literatura, pensou as ligações da escrita ao cinema, à política, à pintura e é esse conjunto, que não se fechou apenas no campo literário, que será debatido durante os três dias do congresso do Funchal. Rosa Maria Martelo, da Universidade do Porto, Catherine Dumas, da Sorbonne Nouvelle, Gastão Cruz, ensaísta poeta, Paula Mourão, da Universidade de Lisboa, Luís Maffei, da Universidade Federal Fluminense, Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto são alguns dos nomes que integram a comissão científica do congresso e que irão participar nos trabalhos.
Quanto à organização é da Universidade da Madeira – através do Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais e tem o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Governo Regional da Madeira. Parceiros deste encontro são também a Biblioteca Nacional, a delegação regional do Ordem dos Arquitetos e a galeria de arte Porta 33.»

(cortesia de EXPRESSO online, de 04.11.2016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

"Politécnicos querem ser Universidades de Ciências Aplicadas"

«Os presidentes dos Conselhos Gerais dos Institutos Superiores Politécnicos foram ontem ouvidos na comissão parlamentar de Educação, onde vão defender que possam adotar uma nova designação internacional, denominada Universidade de Ciências Aplicadas, e a possibilidade de ministrarem doutoramentos.
Estas duas reivindicações, que os politécnicos apresentaram à tutela, resultam de uma reunião em Leiria, no final de outubro, na qual foi tomada uma posição conjunta pelos 13 institutos superiores politécnicos.
Num comunicado divulgado na sequência dessa reunião, os presidentes dos Conselhos Gerais explicam que estas pretensões têm por base, entre outros argumentos, “a evolução” dos institutos politécnicos, desde a sua formação.»
Versão completa na edição impressa

(reprodução de notícia AS BEIRAS online, de 3-11-20016)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]