quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Prestação de Contas (17)

De um membro do Conselho Geral exige-se muito (e bem) mas é preciso ter em conta que o facto de alguém ser membro do CG não o liberta de nenhum modo das muitas outras tarefas que tem de fazer e que, como os colegas, sabem, não são poucas.
Um professor universitário que ensina e investiga não tem tempos livres.
Esta explicação é dada para justificar o facto de não vir com tanta frequência quanto desejava a este lugar de prestação de contas.
No entanto, tenho andado preocupado com as tarefas do órgão máximo da Universidade do Minho e neste momento as maiores preocupações incidem:
1. Sobre o bom funcionamento do órgão ( objectivo que, a meu ver, está ainda longe de ser atingido)
2. Sobre a situação financeira da UM que continuo a não saber qual é. Por um lado, a informação oficial é de estrangulamento financeiro, mas por outro, em 31.12.08, estavam depositados em bancos mais de 12 milhões de euros que renderam cerca de 500.000 de juros. Ainda não obtive uma resposta para esta, pelo menos aparente, contradição.
Por outro lado, estive a ler já com maior atenção (e vou reler) os programas de acção dos candidatos. Quanto a estes, para além do mais, gostaria de ver (e não vi) uma calendarização das tarefas. Não se pode fazer tudo ao mesmo tempo e por isso gostaria de saber o que vai ser prioritário.
Enviem-me sugestões e críticas.

António Cândido de Oliveira

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"As eleições para a Escola de Engenharia podem trazer mudança?"

As eleições para a Escola de Engenharia podem traz...

(título de mensagem, datada de Sábado, 19 de Setembro de 2009, disponível em Prálem D`Azurém)

Eleição do Reitor: breves reflexões sobre os programas

São conhecidos os candidatos a Reitor da Universidade do Minho e os respectivos programas de acção. Neste momento importante na vida da Universidade, importa saber o que cada um dos candidatos propõe.
A leitura atenta dos programas permite, desde logo, identificar duas posturas claramente distintas face ao presente acto eleitoral. Enquanto o Professor António Cunha nos propõe um programa de acção baseado em estratégias e vectores de actuação bem definidos e cobrindo as áreas mais relevantes na Universidade, o Professor Artur Águas propõe-nos uma abordagem aberta, a construir ao longo do tempo, face ao conhecimento da UM e em interacção com o Conselho Geral e outros orgãos. Não é nada que nos surpreenda, face aos curricula dos dois candidatos, um com grande conhecimento da instituição, o outro com ideias gerais potencialmente interessantes, mas muito menos conhecedor da casa.
Os programas carecem, contudo, e na minha opinião, do esclarecimento de alguns aspectos porventura muito importantes para o futuro próximo. Desde logo:
1. Financiamento
Nos dois últimos mandatos reitorais, foram recorrentes as referências públicas às graves dificuldades que a Universidade viveria, colocando-se mesmo a possibilidade de a instituição não ter recursos para pagar a totalidade dos salários aos seus colaboradores. Hoje sabe-se, pelo conhecimento preciso das contas e da situação financeira actual da Universidade [http://www.uminho.pt/uploads/Mapas_Prestacao_Contas_UM2008.pdf], que não haveria razão para esse alarmismo, e que tal terá servido principalmente para justificar medidas de gestão que poderão ser questionáveis.
Todavia, há que reconhecer que a situação financeira e as perspectivas económicas da UM não são, como para o resto das universidades portuguesas, tão boas quanto o eram em 2002. Pelo que, importará ver o que os candidatos dizem a esse respeito.
O Professor Artur Águas parece não atender a esta problemática, pois não lhe dedica nenhuma ênfase no seu programa.
O Professor António Cunha manifesta estar atento ao problema, dedicando-lhe um dos vectores de actuação (V6 – Garantir o equilíbrio financeiro). Contudo, para além de medidas de reorganização administrativa na área contabilística que reconhecidamente urgem, pouco se antevê sobre a forma como pensa conseguir a sustentabilidade financeira da instituição, pelo menos durante os 4 anos do mandato. Aumentar número de estudantes não se faz só por se querer, implica medidas, que faltam, a meu ver, explicitar. Racionalizar o portefólio de unidades curriculares é algo de essencial, que vai permitir optimizar recursos humanos, nomeadamente de docentes, libertando-os mais para actividades de investigação e ligação à comunidade. Será positivo, mas haverá ideias concretas de como o fazer? Ou apenas princípios gerais que todos comungarão, mas poucos se sentirão capazes de implementar? Nada refere, por outro lado, o
Professor António Cunha em relação à forma de incrementar a captação de receitas próprias. Depois de em 2006 a Reitoria ter retido os saldos dos centros de custo mais produtivos, gerando um profundo desconforto na instituição e uma desmotivação para a captação continuada de receitas próprias, que pretende o Professor António Cunha fazer para inverter esta situação e aumentar o grau de empenho dos docentes nesta tarefa tão importante de angariar recursos adicionais?
2. Investigação
Os candidatos dedicam parte importante dos seus programas a esta área. Enquanto o Professor António Cunha exibe a ambição de tornar a UM uma universidade centralizada na investigação, o Professor Artur Águas manifesta uma postura mais prudente, não lhe dando esse pendor, mas reconhecendo-lhe a sua importância vital.
Há vários sectores e ideias em que assentam os dois programas, nesta área. Importaria contudo saber como consolidar a investigação: com que meios financeiros e com que meios humanos? Com que nível de preocupação para que a investigação sirva os interesses da comunidade, sendo útil? São aspectos que estão longe de ser claros nos programas, e que, no período pré-eleitoral, deveriam ser melhor explicados.
O Professor Artur Águas dá forte importância ao apoio aos investigadores, dedicando-lhe o ponto 10. do seu programa. Porventura desconhecerá que a UM já possui um GAP (Gabinete de Apoio a Projectos). Todavia, comunga do sentir da generalidade dos investigadores da UM, quanto à escassez de verdadeiros apoios, apesar de os recursos humanos e financeiros dedicados à componente administrativa da UM terem significativamente crescido nos últimos anos. Importa saber, mais em pormenor, o que os candidatos se propõem fazer nesta matéria tão importante.
3. Avaliação
Enquanto o programa do Professor Artur Águas é praticamente omisso nesta matéria, o Professor António Cunha manifesta reconhecer-lhe a importância devida, certamente porque atento às implicações decorrentes do novo ECDU.
Nesta matéria, intimamente ligada ao sistema de gestão interno da qualidade, é fundamental saber-se o que pensam os candidatos, nomeadamente na forma como entendem dever conduzir o inerente processo de implementação. Uma questão crucial é saber-se qual o nível de participação que vai ser requerido aos agentes, nomeadamente docentes e demais colaboradores, por forma a tornar eficaz e bem assumidas as decisões que vierem a ser tomadas. Espera-se que, em matéria tão relevante, os candidatos não aceitem como eficazes actuações do tipo top-down, bem características, de resto, da forma de gerir a UM nos últimos anos, na minha opinião, nem sempre com os melhores resultados.
4. Vida nos campii
Também nesta vertente, apenas o Professor António Cunha avança com algumas ideias, muitas das quais me parecem genericamente válidas.
Seria contudo desejável conhecer-se, com maior pormenor, medidas concretas que os candidatos entendam oportunas e passíveis de ser realmente implementadas durante o mandato.
Parecem flagrantes os constrangimentos ao nível de estacionamento de viaturas, graves erros de acessibilidade aos campii para os peões, bem como deficiências importantes ao nível dos arranjos exteriores e da qualidade interna dos edifícios, que urge colmatar rapidamente.
Seria importante saber o que os candidatos propõem, em concreto, nesta matéria.
5. Informação
A informação é fundamental para permitir e mesmo garantir a eficácia da participação activa de todos agentes nas instituições de cariz democrático, como são as universidades.
Parecem-me ainda grandes as dificuldades que a este nível se sentem, apesar de algumas melhorias introduzidas nos últimos anos. Pouco é dito pelos candidatos a este respeito. Convinha, todavia, saber que medidas estão no seu pensamento, para incrementar o nível de informação interno na UM e, desta forma, estimular a participação de todos na vivência plural que se exige.
Julgo que estas, e outras questões, deverão ser respondidas à Academica pelos candidatos, pela forma que entenderem mais adequada. As eleições para Reitor da Universidade do Minho serão decididas por 23 eleitores, membros do Conselho Geral.
Não se devem, contudo, resumir ao âmbito restrito daquele orgão de governo. Se tal contecer, será o próprio acto eleitoral que ficará, a meu ver, diminuído de valor, enfraquecendo, de alguma forma, o Reitor que vier a ser eleito e inevitavelmente a Universidade como um todo.
Guimarães, 21 de Setembro de 2009

Fernando Castro
Departamento de Engenharia Mecânica
Membro eleito do Senado Académico, aguardando posse
*
(reprodução integral de mensagem ontem distribuida universalmente na rede electrónica da UMinho)

domingo, 20 de setembro de 2009

O Processo de Bolonha: não tomar a retórica e a burocracia pela realidade!

A UM teve há algum tempo uma referência externa elogiosa no que diz respeito à incrementação do processo de Bolonha. Ficamos orgulhosos! Do que se tratava mais não era do que a relativa brevidade com que construímos as grelhas curriculares dos cursos em conformidade com os formalismos requeridos, passando as actividades lectivas a funcionar de acordo com a nova arrumação das UCs. Ora, o que é que isso nos diz, em termos substantivos, quanto à real incrementação da profunda renovação do ensino que é preconizada? Eu diria que muito pouco ou quase nada. Quanto mais depressa se fazem esses arranjos, menos se pensa e mais ilusória se torna a ideia de inovação. Ser-se “bom aluno” nas formalidades burocráticas, que colocam no papel o que não corresponde a uma realidade, é contrário de uma acção crítica e reflexiva. A percepção que tenho e as opiniões que vejo em muitos colegas é que a qualidade dos cursos não melhorou... Oxalá possamos vir a dizer que esta situação resulta das contingências do processo de transição.

A notícia do estudo encomendado pela Gulbenkian sobre a implementação do Processo de Bolonha http://aeiou.expresso.pt//universidades-devem-reforcar-autonomia-dos-estudantes=f536597 diz-se que os investigadores concluíram o seguinte:

Quanto à promoção da autonomia do estudante, os investigadores concluíram não ser óbvio que haja "estratégias claras" para concretizar este princípio. Nalguns casos, o caminho seguido foi precisamente o contrário, com a introdução de mecanismos de controlo de assiduidade.

Sobre a questão da autonomia do aluno retomo o que já escrevi neste fórum:

(…) a questão central que tem que ser encarada é seguinte: os novos papéis a assumir pelos alunos só poderão ocorrer se forem induzidos pelos docentes. A aprendizagem centrada no aluno não é algo que possa tornar-se realidade por via da concessão de mais tempo de estudo e mais espaço de participação, esperando-se que desse modo o aluno assuma maior protagonismo. A aprendizagem centrada no aluno e a autonomia são construções complexas de que o docente é um obreiro da maior importância.

Há dias, dizia-me uma colega da Universidade Clássica de Lisboa que, tendo sido concedida aos alunos uma semana de dispensa de aulas para trabalho autónomo, o que aconteceu foi que eles fizeram as malas e foram para casa.

Na ideia do estudo da Gulbenkian, de que o controlo da assiduidade é contrário à promoção da autonomia, há um grande equívoco quanto ao modo de lidar com a escassez de sentido de responsabilidade que abunda nas nossas universidades - esta questão é particularmente sensível quando falamos dos primeiros anos. Por outro lado, na linha do que antes referi, como pode o docente exercer a sua função de construtor da autonomia do aluno, com menos tempo lectivo presencial e sem garantia da assiduidade dos alunos nesse tempo mais escasso?

O meu ponto de vista é outro, já aqui expresso:

Não tenhamos medo das palavras: só uma acção disciplinadora permitirá operar mudanças significativas nos hábitos profundamente arreigados dos alunos. A assinatura de trabalhos nos quais não se teve efectiva participação, o jogo de falsificações de assinaturas nas folhas de registo de frequência às aulas, o abandono da sala a meio das aulas, sem justificação, são algumas das práticas, entre outras, que não são compatíveis com uma ética de responsabilidade.

Fala-se também nas dificuldades de ordem financeira. Mesmo que esse argumento tenha algum fundamento, é oportuno lembrar que a "falta de condições" é um argumento muito recorrente, entre os docentes de outros graus de ensino, para justificar a "impossibilidade" de um ensino de melhor qualidade. Existem por outro lado umas teorias da educação que tudo fazem depender de um tal "sistema", da gestão e da organização, das políticas, do governo, etc. dando uma boa ajuda à desresponsabilização individual dos professores. É que as maiores dificuldades da inovação não residem no hardware físico, residem antes no "software" humano, sendo por isso fácil cair-se na tentação da "falta de condições". Mesmo em estudos considerados rigorosos à luz de determinados padrões.

As inovações previstas nos enunciados do processo de Bolonha configuram uma transformação profunda da cultura universitária, de natureza holística e abrangente, que não se vislumbra no horizonte próximo. É precisso assumir isso com clareza, com a noção de que uma realidade humana tão complexa como é o ensino em instituições vincadamente conservadoras, não é transformável em curto espaço de tempo pelo voluntarismo, pelo desejo ou imperativos normativos impostos externamente. Todavia, isso não significa que os docente não tenham nas suas mãos, pela sua acção própria, a possibilidade de serem agentes de transformação, sem estarem à espera de um sistema inovador que não vai chegar. A aprendizagem, enquanto processo holístico em que se interpenetram a linguagem, a comunicação, o pensamento e a responsabilidade, recomendam fazer de cada Unidade Curricular um espaço de formação em que estejam presentes algumas dimensões transversais, a saber:

a) promover uma ética de rigor, disciplina e responsabilidade;

b) promover o hábito de pensar, pelo questionamento;

c) promover as competências de comunicação oral e escrita;

d) promover competências de pesquisa e de análise crítica da informação.

Joaquim Sá

sábado, 19 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Processo eleitoral para Reitor da Universidade do Minho: "Após muito procurar..."

"Após muito procurar, lá conseguímos encontrar os programas e CV dos candidatos a Reitor, quase escondidos num recanto do site institucional da UM !!."
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(excerto de mensagem, datada de 2009/07/16, disponível na página de entrada do sítio do Movimento "Novos Desafios, Novos Rumos")

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Eleição do Reitor"

«Caros Colegas
Trabalhadores não docentes e não investigadores

Conforme divulgado, realiza-se no próximo dia 7 de Outubro a eleição do futuro Reitor da Universidade do Minho.
De acordo com o RJIES e os Estatutos da Universidade do Minho, o Reitor é eleito no seio do Conselho Geral, por maioria e voto secreto.
O processo de eleição inclui a audição pública dos candidatos, com apresentação e discussão dos respectivos programas de acção, a qual terá lugar no dia 6 de Outubro.
Trata-se de um acto fundamental para o futuro da Universidade, em que todos os elementos da comunidade académica devem participar.
De acordo com o Regulamento Eleitoral (e a deliberação tomada em reunião da Comissão Eleitoral, difundida através da Acta da reunião), à audição pública seguir-se-á um período de perguntas e de pedidos de esclarecimento, colocados pelos membros do Conselho Geral, sendo assegurada a sua transmissão, em tempo real.
Os Trabalhadores não docentes e não investigadores, em face dos programas de acção dos dois candidatos admitidos, podem, querendo, apresentar ao seu representante as questões que gostariam de ver formuladas, no contexto referido, e tendo em conta as limitações temporais estabelecidas.
Para o efeito, devem envia-las até ao dia 1 de Outubro (5ª feira), para os seguintes endereços:
mferreira@reitoria.uminho.pt; ou, em alternativa, colocá-las no espaço “Pergunte ao futuro Reitor”, criado para este efeito na página Universidade em Mudança, UM para Todos:
http://umparatodos.com/index.php?option=com_contact&task=view&contact_id=2&Itemid=67
A Representante dos Trabalhadores não docentes,

Maria Fernanda Ferreira»
*
(reprodução integral de mensagem de distribuição universal na rede da UMinho que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico; a proveniência é a identificada)

"Falaria antes de trapalhice, presunção e mau juízo na aplicação de dinheiros públicos"

Debater e decidir as mesmas coisas ano após ano: um modo de estar bem português

(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009, disponível em Universidade Alternativa)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Prestação de Contas (16)

Os colegas já sabem: foram apresentadas duas candidaturas a Reitor, uma do colega da Universidade do Minho , António Cunha; outra a do colega da Universidade do Porto, Artur Águas .
Foi pena, penso, que não tivessem surgido mais uma ou duas candidaturas, nomeadamente da UM, mas agora do que se trata é de apreciar estas duas.
Poderão pensar que isso é tarefa apenas do Conselho Geral. Considero que essa é uma visão redutora do processo eleitoral. Os membros do Conselho Geral podem e devem ser apoiados na preparação da audição pública dos candidatos através da academia. Os membros desta podem e devem colocar questões que gostariam de ver abordadas e respondidas.
Não devemos estar à espera apenas do que os candidatos pensam e do que dizem, temos de lhes dizer o que pensamos nós (Academia e Conselho Geral).
Estão previstas também, julgo, sessões de esclarecimento dos candidatos.
Peço a vossa ajuda.

António Cândido de Oliveira

"Today's leaders must be partners"

"In the past a leader was a boss. Today's leaders must be partners with their people... they no longer can lead solely based on positional power."

Ken Blanchard

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 15, Issue 585-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)