Actas da Comissão Eleitoral:
Acta nº5/ 09, 9 de Fevereiro de 2009 »»
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Coincidências Eleitorais
Caros colegas Professores e Investigadores,
O último texto da lista C (11/02/09) tem alguns aspectos curiosos de aggiornamento de linguagem e discurso, para efeitos eleitorais, que importa registar. A título de exemplo chamamos especial atenção para o seguinte excerto:
O movimento uma universidade com futuro! está convicto de que a gestão dos campi e restantes estruturas da Universidade do Minho deve seguir uma orientação de respeito pelo meio ambiente e de sustentabilidade ecológica, sendo exemplo de boas práticas neste domínio. Este entendimento deverá estar presente na criação de novos espaços físicos da Universidade e na implementação gradual de adaptações nos já existentes.
Desta forma, e ainda pela promoção de práticas respeitadoras do meio ambiente por parte de toda a comunidade académica, existirão ganhos a diferentes níveis e registar-se-ão melhorias significativas no bem-estar de todos.
Agora pedimos ao leitor que compare o que acaba de ler com o seguinte excerto do artigo de José Vieira, intitulado Universidade do Futuro: Espaços e Lugares para Aprendizagem, Inovação e Transferência de Conhecimento, publicado no blogue “Novos Desafios, Novos Rumos" (neste blogue), em 23/12/09:
Com o aproveitamento dos meios tecnológicos disponíveis é possível desenhar um campus ambientalmente sustentável baseado em princípios modernos de racionalização de custos, onde os espaços simples e combinados, criados em ambientes naturais com a presença de água, permitam usufruir do convívio com a natureza. O nível ecológico de um campus deve ser um elemento fundamental de análise ao desempenho dos seus espaços e lugares.
Cada vez mais, a sustentabilidade e o respeito pelos ecossistemas se impõem como factores determinantes para o sucesso do ensino e da investigação pois contribuem decisivamente para que as pessoas se sintam mais motivadas, mais realizadas e mais felizes. (…) Neste contexto, a questão dos espaços e das instalações universitárias assume relevância especial. A necessidade de implementar formas diferentes de ensino, (…) implica a disponibilidade de espaços lectivos versáteis, polivalentes e flexíveis, o que requer abertura para a alteração, transformação e adaptação de espaços existentes.
(…)
Tire o leitor as suas conclusões quanto às coincidências eleitorais. Por nós, resta congratularmo-nos pelo facto da lista C importar para o seu ideário as propostas e ideias que José Vieira apresentou enquanto candidato da Lista B.
O último texto da lista C (11/02/09) tem alguns aspectos curiosos de aggiornamento de linguagem e discurso, para efeitos eleitorais, que importa registar. A título de exemplo chamamos especial atenção para o seguinte excerto:
O movimento uma universidade com futuro! está convicto de que a gestão dos campi e restantes estruturas da Universidade do Minho deve seguir uma orientação de respeito pelo meio ambiente e de sustentabilidade ecológica, sendo exemplo de boas práticas neste domínio. Este entendimento deverá estar presente na criação de novos espaços físicos da Universidade e na implementação gradual de adaptações nos já existentes.
Desta forma, e ainda pela promoção de práticas respeitadoras do meio ambiente por parte de toda a comunidade académica, existirão ganhos a diferentes níveis e registar-se-ão melhorias significativas no bem-estar de todos.
Agora pedimos ao leitor que compare o que acaba de ler com o seguinte excerto do artigo de José Vieira, intitulado Universidade do Futuro: Espaços e Lugares para Aprendizagem, Inovação e Transferência de Conhecimento, publicado no blogue “Novos Desafios, Novos Rumos" (neste blogue), em 23/12/09:
Com o aproveitamento dos meios tecnológicos disponíveis é possível desenhar um campus ambientalmente sustentável baseado em princípios modernos de racionalização de custos, onde os espaços simples e combinados, criados em ambientes naturais com a presença de água, permitam usufruir do convívio com a natureza. O nível ecológico de um campus deve ser um elemento fundamental de análise ao desempenho dos seus espaços e lugares.
Cada vez mais, a sustentabilidade e o respeito pelos ecossistemas se impõem como factores determinantes para o sucesso do ensino e da investigação pois contribuem decisivamente para que as pessoas se sintam mais motivadas, mais realizadas e mais felizes. (…) Neste contexto, a questão dos espaços e das instalações universitárias assume relevância especial. A necessidade de implementar formas diferentes de ensino, (…) implica a disponibilidade de espaços lectivos versáteis, polivalentes e flexíveis, o que requer abertura para a alteração, transformação e adaptação de espaços existentes.
(…)
Tire o leitor as suas conclusões quanto às coincidências eleitorais. Por nós, resta congratularmo-nos pelo facto da lista C importar para o seu ideário as propostas e ideias que José Vieira apresentou enquanto candidato da Lista B.
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(reprodução de comunicado entretanto distribuído universalmente na rede electrónica da UMinho)
Boletim Informativo
Agora que está prestes a sair o Boletim Informativo N.º 2, recorda-se aqui o primeiro número, saído há escassos dias. Clique na imagem para aumentar ou obtenha a versão integral aqui.

Face aos novos desafios, apontamos novos rumos
Tendo por adquirido que Competência e Participação sintetizam os princípios e valores fundamentais da integridade académica, orgulhamo-nos do trajecto percorrido pela Universidade do Minho na sua afirmação, em apenas três décadas, como pólo de coesão, promoção e desenvolvimento regional.
Porém, partilhamos a Visão de um longo caminho que ainda importa percorrer, com obstáculos permanentes para ultrapassar, no sentido do desenvolvimento de um ambiente apropriado à consolidação da Missão da Universidade.
Face aos novos desafios, apontamos novos rumos:
- perante o novo modelo de governação da Universidade, importa fomentar uma cultura democrática, fundamentada nos princípios do direito, na liberdade, na transparência dos processos de decisão, na participação cívica e na responsabilidade individual;
- a reforma do ensino, segundo o modelo de Bolonha, obriga-nos a desenvolver a oferta pedagógica, baseada nos princípios adoptados pela Agência de Avaliação e Acreditação para a Garantia da Qualidade do Ensino Superior, para reforçar a capacidade científica já instalada e a sua estruturação em rede, no quadro do Sistema Científico e Tecnológico Nacional e das instituições científicas internacionais;
- a globalização desafia-nos a incrementar a relevância internacional da Universidade, através do estabelecimento de novos acordos de associação ou de cooperação com instituições congéneres, para a prossecução de parcerias e projectos comuns, tendo em vista, além do desenvolvimento científico, a criação de um espaço europeu e de um espaço lusófono de ensino superior;
- o sistema mercantil, em crise prolongada, exige o reforço da dimensão ética na interacção da Universidade com os mercados emergentes da educação e da ciência, quer pela consolidação da cadeia de valor dos seus produtos e serviços, quer pelo estabelecimento de um sistema regulador eficiente e sustentável.
Porém, partilhamos a Visão de um longo caminho que ainda importa percorrer, com obstáculos permanentes para ultrapassar, no sentido do desenvolvimento de um ambiente apropriado à consolidação da Missão da Universidade.
Face aos novos desafios, apontamos novos rumos:
- perante o novo modelo de governação da Universidade, importa fomentar uma cultura democrática, fundamentada nos princípios do direito, na liberdade, na transparência dos processos de decisão, na participação cívica e na responsabilidade individual;
- a reforma do ensino, segundo o modelo de Bolonha, obriga-nos a desenvolver a oferta pedagógica, baseada nos princípios adoptados pela Agência de Avaliação e Acreditação para a Garantia da Qualidade do Ensino Superior, para reforçar a capacidade científica já instalada e a sua estruturação em rede, no quadro do Sistema Científico e Tecnológico Nacional e das instituições científicas internacionais;
- a globalização desafia-nos a incrementar a relevância internacional da Universidade, através do estabelecimento de novos acordos de associação ou de cooperação com instituições congéneres, para a prossecução de parcerias e projectos comuns, tendo em vista, além do desenvolvimento científico, a criação de um espaço europeu e de um espaço lusófono de ensino superior;
- o sistema mercantil, em crise prolongada, exige o reforço da dimensão ética na interacção da Universidade com os mercados emergentes da educação e da ciência, quer pela consolidação da cadeia de valor dos seus produtos e serviços, quer pelo estabelecimento de um sistema regulador eficiente e sustentável.
Joaquim E Neves
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Liberdade para sermos os melhores!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Um Conselho Geral forte e responsável
Cara(o) Colega:
Utilize, por favor, 30 segundos para ler esta mensagem:
1. As eleições para o Conselho Geral da UM realizam-se no dia 2 de Março.
2. Concorrem três listas em representação dos professores e investigadores.
3. As listas têm páginas na web onde informam e expõem os seus pontos de vista.
4. A página da Lista B tem o seguinte endereço que inclui também um blogue:
http://www.um-novosdesafios.net
5. Gostaríamos de saber a sua opinião sobre a situação actual da UM e sobre este acto eleitoral.
6. Teremos todo o gosto em o contactar pessoalmente ou por correio, se nos der indicação nesse sentido.
7. Precisamos que forme a sua opinião e que vote.
8. Quanto maior for a participação, melhor será a imagem da UM.
9. A força da UM está muito mais nos eleitores do que nos eleitos.
10. Um Conselho Geral forte e responsável é um importante marco para este novo período da nossa Universidade.
Utilize, por favor, 30 segundos para ler esta mensagem:
1. As eleições para o Conselho Geral da UM realizam-se no dia 2 de Março.
2. Concorrem três listas em representação dos professores e investigadores.
3. As listas têm páginas na web onde informam e expõem os seus pontos de vista.
4. A página da Lista B tem o seguinte endereço que inclui também um blogue:
http://www.um-novosdesafios.net
5. Gostaríamos de saber a sua opinião sobre a situação actual da UM e sobre este acto eleitoral.
6. Teremos todo o gosto em o contactar pessoalmente ou por correio, se nos der indicação nesse sentido.
7. Precisamos que forme a sua opinião e que vote.
8. Quanto maior for a participação, melhor será a imagem da UM.
9. A força da UM está muito mais nos eleitores do que nos eleitos.
10. Um Conselho Geral forte e responsável é um importante marco para este novo período da nossa Universidade.
Lista B
Uma Universidade para todos!
Uma Universidade para todos!
(reprodução de comunicado distribuido entretanto, universalmente, na rede da UMinho)
Da vacuidade retórica aos problemas da vida académica
Caros Colegas, Professores e Investigadores,
Continuo esforçando-me por entender o presente…
No século XVII, em Portugal o ensino dos jesuítas lutava fervorosamente contra o espírito da “Reforma que nascera da liberdade mental, do direito que cada um se arrogara de pensar por si” (Saraiva, 2004:222). Os dogmas da fé só poderiam sobreviver ao movimento libertador da Reforma, disciplinando a mente para não pensar, e assim o ensino por todo o País foi transformado “num alicerce para crer”. Consequentemente,
Continuo esforçando-me por entender o presente…
No século XVII, em Portugal o ensino dos jesuítas lutava fervorosamente contra o espírito da “Reforma que nascera da liberdade mental, do direito que cada um se arrogara de pensar por si” (Saraiva, 2004:222). Os dogmas da fé só poderiam sobreviver ao movimento libertador da Reforma, disciplinando a mente para não pensar, e assim o ensino por todo o País foi transformado “num alicerce para crer”. Consequentemente,
“a cultura desgarrou-se da vida e dos problemas vivos da época; evitou os temas quentes e as inovações que podiam chamar a atenção do inquisidor português (…). As palavras dissonantes eram arriscadas e os atrevimentos acabavam no cárcere. Por isso, a actividade mental encaminhou-se para dois caminhos: a submissão religiosa (…) e um puro culto da forma, que leva a usar da palavra como algo que vale por si, desligada da ideia." (Saraiva,2004: 221-223).
Enquanto Galileu, Descartes, Pascal, Espinosa, Bacon e Newton eram a expressão do esplendor da ciência na Europa, em Portugal a única influência vinda de fora era um Tratado de Ciência da Cabala - “uma erupção de irracionalismo, ocultismo e messianismo”. É o peso desta tradição do culto da forma que faz com que, nos meios académicos portugueses, muito do que hoje se diz ser ciência, particularmente em certas áreas, nada tem de científico. O estatuto de autoridade, que a ausência de espírito crítico levianamente concede à vacuidade retórica, sobrepõe-se à árdua tarefa de construção de rigorosos critérios de validação do conhecimento – esta bem mais produtiva, mas igualmente bem mais distante da ribalta.
Nos tempos eleitorais recentes e em curso na Universidade de Minho, têm sido postos em evidência esses traços de cultura do século XVII, a saber:
- disciplinar as mentes para não pensar;
- um discurso eleitoral de costas voltadas para a vida;
- evitar os temas quentes da vida na academia, porque isso paga-se caro;
- o subterfúgio da retórica, sem ideias nem relevância.
“Uma universidade que deve ser global” ou “uma governação democrática” são exemplos de slogans que recusam uma genuína reflexão sobre os problemas da vida da academia. “Universidade global” é uma expressão gongórica cujo conteúdo nos escapa. A “governação democrática”, sem referência à qualidade da vivência das pessoas no contexto laboral, remete-nos para a necessidade do exercício de desmontar o carácter instrumental de um discurso, cujos fins não coincidem com os enunciados. A “universidade cidadã”, que remete para a super-estrutura do CG onde supostamente alguém fará um “teste à maturidade democrática” (como será o teste?), sem uma preocupação com os cidadãos que habitam a academia, é claramente um figura de retórica, na linha do vazio de ideias e da irrelevância face aos reais problemas.
Entre as listas A e C há um acordo tácito para evitar os temas quentes, tendo isso ficado patente nas últimas eleições (estimados amigos de um lado e de outro, isto é o debate – conto com o vosso fairplay). Com efeito, se ambos os projectos se apresentaram à academia com enunciados humanistas, valores democráticos, preconizando o primado da liberdade, o que haveria de ser discutido?A discussão faz-se com recurso à palavra, contrapondo argumentos ao que é tido por diferente, contrário. Todavia, se nos enunciados fundamentais não há contradição mas convergência, toda a discussão é um exercício de retórica redundante, em torno de uma mesma coisa. Navega-se num consenso difuso, sem vectores, como se o objecto de discussão - a vida académica - fosse uma realidade sem esboço de forma, desprovida de arestas, de vértices, de tudo o que aponte um sentido de diferença ou de ruptura. O debate não existe e o pensamento fica enclausurado: o dos candidatos, o dos que querem intervir no debate e o dos que ouvem.
Para as pessoas que vivem a sua actividade académica como um fardo pesado que carregam para ganhar a vida - habitando o espaço universitário sem o calor dos afectos, onde se sentem excluídas, humilhadas, desrespeitadas, não estimuladas - pouco importam as grandes considerações sobre a missão da Universidade. A força e a vitalidade de uma organização assentam na saúde do tecido social que a sustenta (Bhom & Peat, 1995; Goleman, 1995). Isso requer um debate orientado para um esforço de transformação da cultura institucional vigente, que tenha no horizonte uma vivência académica subordinada a princípios e valores adoptados pelo Movimento que dá corpo à lista B: honestidade, confiança, transparência, respeito e responsabilidade (ver http://um-novosdesafios.net).
É pois necessário falar das venalidades enraizadas na cultura institucional, a saber: o desrespeito da legalidade; o autoritarismo e a intimidação; a atmosfera de medo e de opressão; a violação de direitos legítimos das pessoas; o favorecimento de uns em detrimento de outros; a degradação das relações interpessoais; o clientelismo; as restrições à liberdade de expressão; as situações de injustiça, sem apelo nem recurso; a intromissão abusiva em matérias científicas em função do cargo que se exerce e não de critérios científicos; ausência de liberdade de escolha de orientadores científicos e de temáticas de investigação.
São particularmente os docentes mais jovens que mais sentem este tipo de problemas e mais vulneráveis se encontram para lhes fazer face. Um futuro de maior esperança para eles passa pelo fortalecimento do Movimento Novos Desafios, Novos Rumos, que intervém agora através da candidatura da lista B ao CG e prosseguirá a sua intervenção académica no futuro, no sentido da construção de uma comunidade académica mais justa e humanizada.
Joaquim Sá
Enquanto Galileu, Descartes, Pascal, Espinosa, Bacon e Newton eram a expressão do esplendor da ciência na Europa, em Portugal a única influência vinda de fora era um Tratado de Ciência da Cabala - “uma erupção de irracionalismo, ocultismo e messianismo”. É o peso desta tradição do culto da forma que faz com que, nos meios académicos portugueses, muito do que hoje se diz ser ciência, particularmente em certas áreas, nada tem de científico. O estatuto de autoridade, que a ausência de espírito crítico levianamente concede à vacuidade retórica, sobrepõe-se à árdua tarefa de construção de rigorosos critérios de validação do conhecimento – esta bem mais produtiva, mas igualmente bem mais distante da ribalta.
Nos tempos eleitorais recentes e em curso na Universidade de Minho, têm sido postos em evidência esses traços de cultura do século XVII, a saber:
- disciplinar as mentes para não pensar;
- um discurso eleitoral de costas voltadas para a vida;
- evitar os temas quentes da vida na academia, porque isso paga-se caro;
- o subterfúgio da retórica, sem ideias nem relevância.
“Uma universidade que deve ser global” ou “uma governação democrática” são exemplos de slogans que recusam uma genuína reflexão sobre os problemas da vida da academia. “Universidade global” é uma expressão gongórica cujo conteúdo nos escapa. A “governação democrática”, sem referência à qualidade da vivência das pessoas no contexto laboral, remete-nos para a necessidade do exercício de desmontar o carácter instrumental de um discurso, cujos fins não coincidem com os enunciados. A “universidade cidadã”, que remete para a super-estrutura do CG onde supostamente alguém fará um “teste à maturidade democrática” (como será o teste?), sem uma preocupação com os cidadãos que habitam a academia, é claramente um figura de retórica, na linha do vazio de ideias e da irrelevância face aos reais problemas.
Entre as listas A e C há um acordo tácito para evitar os temas quentes, tendo isso ficado patente nas últimas eleições (estimados amigos de um lado e de outro, isto é o debate – conto com o vosso fairplay). Com efeito, se ambos os projectos se apresentaram à academia com enunciados humanistas, valores democráticos, preconizando o primado da liberdade, o que haveria de ser discutido?A discussão faz-se com recurso à palavra, contrapondo argumentos ao que é tido por diferente, contrário. Todavia, se nos enunciados fundamentais não há contradição mas convergência, toda a discussão é um exercício de retórica redundante, em torno de uma mesma coisa. Navega-se num consenso difuso, sem vectores, como se o objecto de discussão - a vida académica - fosse uma realidade sem esboço de forma, desprovida de arestas, de vértices, de tudo o que aponte um sentido de diferença ou de ruptura. O debate não existe e o pensamento fica enclausurado: o dos candidatos, o dos que querem intervir no debate e o dos que ouvem.
Para as pessoas que vivem a sua actividade académica como um fardo pesado que carregam para ganhar a vida - habitando o espaço universitário sem o calor dos afectos, onde se sentem excluídas, humilhadas, desrespeitadas, não estimuladas - pouco importam as grandes considerações sobre a missão da Universidade. A força e a vitalidade de uma organização assentam na saúde do tecido social que a sustenta (Bhom & Peat, 1995; Goleman, 1995). Isso requer um debate orientado para um esforço de transformação da cultura institucional vigente, que tenha no horizonte uma vivência académica subordinada a princípios e valores adoptados pelo Movimento que dá corpo à lista B: honestidade, confiança, transparência, respeito e responsabilidade (ver http://um-novosdesafios.net).
É pois necessário falar das venalidades enraizadas na cultura institucional, a saber: o desrespeito da legalidade; o autoritarismo e a intimidação; a atmosfera de medo e de opressão; a violação de direitos legítimos das pessoas; o favorecimento de uns em detrimento de outros; a degradação das relações interpessoais; o clientelismo; as restrições à liberdade de expressão; as situações de injustiça, sem apelo nem recurso; a intromissão abusiva em matérias científicas em função do cargo que se exerce e não de critérios científicos; ausência de liberdade de escolha de orientadores científicos e de temáticas de investigação.
São particularmente os docentes mais jovens que mais sentem este tipo de problemas e mais vulneráveis se encontram para lhes fazer face. Um futuro de maior esperança para eles passa pelo fortalecimento do Movimento Novos Desafios, Novos Rumos, que intervém agora através da candidatura da lista B ao CG e prosseguirá a sua intervenção académica no futuro, no sentido da construção de uma comunidade académica mais justa e humanizada.
Joaquim Sá
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Diário de Campanha (22)(21)
COMISSÃO ELEITORAL – Reunião da Comissão Eleitoral para distribuir espaços e organizar as mesas. Reunião longa, pois tendo começado às 9,30h se prolongou até depois das 13,30h. Clima por vezes mais tenso do que seria desejável. A principal deliberação acabou por ser, do meu ponto de vista, a marcação de dois debates das listas dos professores para os dias 25 (Guimarães) e 26 (Braga), pelas 15 horas.
DEBATES – O modelo dos debates e a indicação dos respectivos moderadores será assunto a combinar entre as listas.
PARTICIPAÇÃO - Vamos poder contar todos com uma Comissão Eleitoral empenhada em dar apoio às listas (afinal tudo gira à volta delas) e empenhada numa boa participação eleitoral.
ORGANIZAÇÃO DAS MESAS – Assunto previsto na agenda, mas que ficou por resolver. Deliberação a tomar na próxima reunião da CE.
OBERVADORES – Junto de cada mesa de voto (Gualtar, Azurém e Congregados) haverá observadores das listas. São precisos professores voluntários. Como há efectivos e suplentes a carga não é muito pesada.
BOLETIM INFORMATIVO (BI) – Sairá esta semana o BI n.º2 da Lista B.
DEBATES – O modelo dos debates e a indicação dos respectivos moderadores será assunto a combinar entre as listas.
PARTICIPAÇÃO - Vamos poder contar todos com uma Comissão Eleitoral empenhada em dar apoio às listas (afinal tudo gira à volta delas) e empenhada numa boa participação eleitoral.
ORGANIZAÇÃO DAS MESAS – Assunto previsto na agenda, mas que ficou por resolver. Deliberação a tomar na próxima reunião da CE.
OBERVADORES – Junto de cada mesa de voto (Gualtar, Azurém e Congregados) haverá observadores das listas. São precisos professores voluntários. Como há efectivos e suplentes a carga não é muito pesada.
BOLETIM INFORMATIVO (BI) – Sairá esta semana o BI n.º2 da Lista B.
António Cândido de Oliveira
Empresas e universidades
A capacidade da universidade e empresa estabelecerem relações duradouras e mutuamente benéficas é um dos desafios que se colocam numa sociedade cada vez mais baseada no conhecimento.
Em últimas instâncias, a importância duma universidade pode ser aferida pela sua capacidade em criar e transmitir conhecimento que possa ser útil para a sociedade. De igual forma, a incorporação de conhecimento nos produtos e serviços das empresas, bem assim como nos seus sistemas de gestão e estratégias é também cada vez mais valorizada como fonte de vantagem competitiva. Daí que, por muito que possam andar de costas voltadas ou desavindas, empresas e universidades são obrigadas a entender-se. E sobre isto não vale a pena ter uma visão pessimista: a relação existe, embora os seus resultados possam ser discutidos.
Não pode pensar-se que compete somente às universidades e às empresas desenvolver os mecanismos para se relacionarem. Na verdade, existe um nível na relação universidade-empresa que nenhuma dessas organizações controla directamente. Trata-se do nível em que são formuladas e implementadas políticas públicas com efeitos na relação entre universidades e empresas. E aí incluem-se políticas públicas como a de investigação e desenvolvimento, ciência e inovação, ensino superior ou políticas de apoio à empresa.
Ou seja, existe um largo espectro de decisões públicas com impacto na relação que aqui nos ocupa. Por exemplo, que incentivos, fiscais ou de outra natureza, existem para estimular a investigação nas empresas ou destas em conjunto com as universidades? E que incentivos existem para uma universidade financiar as suas actividades de investigação ou outras através das empresas? Ainda a título meramente exemplificativo, até que ponto o novo regime jurídico das instituições de ensino superior vai no sentido de reforçar a relação universidade-empresa? Muitas outras questões se poderiam colocar.
Em todo o caso, a relação universidade-empresa é, em primeiro lugar, uma responsabilidade dessas duas instituições, não do Estado. E, na verdade, muitas vezes, nem umas, nem outras dão passos no sentido de fomentarem a relação porque frequentemente interpretam essa relação como mais custosa do que benéfica. Noutras
ocasiões, as barreiras existentes são mais simples e envolvem decisões internas às empresas e universidades em termos da sua organização e operações como, por exemplo, os sistemas de compensação existentes.
Significa isto que, se é verdade que nem sempre as políticas públicas vão de encontro à bondade dos seus objectivos, não é menos verdade que muitas instituições (universidade e empresas) não criam as condições favoráveis ao seu relacionamento.
Por outro lado, as duas partes devem perceber que antes de qualquer retorno económico que a relação possa gerar, os agentes envolvidos nessa relação (professores, gestores, accionistas, investigadores, alunos, colaboradores, etc., etc.) obtêm, em primeiro lugar, benefícios que não são facilmente quantificáveis ou traduzíveis em resultados financeiros. Entre esses benefícios está o conhecimento acrescido que todos podem obter da relação, as redes de contactos estabelecidos, ou a simples abertura de portas para projectos mais ambiciosos. Dificilmente os ganhos da relação poderão ser mais tangíveis se ela não passar por uma fase prévia de aprendizagem recíproca com investimentos em tempo e empenho. Sem investimentos de natureza organizacional, os resultados financeiros são mais difíceis.
Em últimas instâncias, a importância duma universidade pode ser aferida pela sua capacidade em criar e transmitir conhecimento que possa ser útil para a sociedade. De igual forma, a incorporação de conhecimento nos produtos e serviços das empresas, bem assim como nos seus sistemas de gestão e estratégias é também cada vez mais valorizada como fonte de vantagem competitiva. Daí que, por muito que possam andar de costas voltadas ou desavindas, empresas e universidades são obrigadas a entender-se. E sobre isto não vale a pena ter uma visão pessimista: a relação existe, embora os seus resultados possam ser discutidos.
Não pode pensar-se que compete somente às universidades e às empresas desenvolver os mecanismos para se relacionarem. Na verdade, existe um nível na relação universidade-empresa que nenhuma dessas organizações controla directamente. Trata-se do nível em que são formuladas e implementadas políticas públicas com efeitos na relação entre universidades e empresas. E aí incluem-se políticas públicas como a de investigação e desenvolvimento, ciência e inovação, ensino superior ou políticas de apoio à empresa.
Ou seja, existe um largo espectro de decisões públicas com impacto na relação que aqui nos ocupa. Por exemplo, que incentivos, fiscais ou de outra natureza, existem para estimular a investigação nas empresas ou destas em conjunto com as universidades? E que incentivos existem para uma universidade financiar as suas actividades de investigação ou outras através das empresas? Ainda a título meramente exemplificativo, até que ponto o novo regime jurídico das instituições de ensino superior vai no sentido de reforçar a relação universidade-empresa? Muitas outras questões se poderiam colocar.
Em todo o caso, a relação universidade-empresa é, em primeiro lugar, uma responsabilidade dessas duas instituições, não do Estado. E, na verdade, muitas vezes, nem umas, nem outras dão passos no sentido de fomentarem a relação porque frequentemente interpretam essa relação como mais custosa do que benéfica. Noutras
ocasiões, as barreiras existentes são mais simples e envolvem decisões internas às empresas e universidades em termos da sua organização e operações como, por exemplo, os sistemas de compensação existentes.
Significa isto que, se é verdade que nem sempre as políticas públicas vão de encontro à bondade dos seus objectivos, não é menos verdade que muitas instituições (universidade e empresas) não criam as condições favoráveis ao seu relacionamento.
Por outro lado, as duas partes devem perceber que antes de qualquer retorno económico que a relação possa gerar, os agentes envolvidos nessa relação (professores, gestores, accionistas, investigadores, alunos, colaboradores, etc., etc.) obtêm, em primeiro lugar, benefícios que não são facilmente quantificáveis ou traduzíveis em resultados financeiros. Entre esses benefícios está o conhecimento acrescido que todos podem obter da relação, as redes de contactos estabelecidos, ou a simples abertura de portas para projectos mais ambiciosos. Dificilmente os ganhos da relação poderão ser mais tangíveis se ela não passar por uma fase prévia de aprendizagem recíproca com investimentos em tempo e empenho. Sem investimentos de natureza organizacional, os resultados financeiros são mais difíceis.
Vasco Eiriz
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